Faraway, So Close

O cigarro queima no cinzeiro, como os dias passados, os pensamentos que se foram e que nos trazem a manhã. A janela aberta traz o vento que lhe conforta a alma, o acalma, antes de outro furacão. Tudo preso aqui dentro, a sensação de algo a fazer, de dizer algo para alguém. Existir não é fácil e nessas noites de outubro o que há mais do que solidão?

Ele nem fuma mais, mas imagina esse personagem após ver uma foto de Salinger com um cigarro na mão na frente de uma máquina de escrever. Pensa nisso porque pensa onde estará ela. Dormindo na noite ou pensando? Onde se foram os anos, que não estavas aqui? Estranho que as sensações vem e vão como ondas. Mas nada, nada se compara a quando ela está ali. Quando ela lhe olha no rosto, mordendo o lábio. Sem conseguir esconder o afeto, ou desejo. Na última vez sentaram no sofá da sala de dois lugares perto da grande janela. A visão do vigésimo andar virada para o rio e o porto. Porto Alegre de costas, para o Guaíba. Não olham para a janela, se olham nos olhos, ás vezes fugindo, olhando para baixo. Ele tenta esconder que só quer um abraço e acabar com toda essa confusão. Ela só quer voar, acima da vida que lhe aprisionou e seus problemas. Por onde andará ela, que não aqui. E ainda sim, tão aqui. A noite cala, perguntas que o tempo irá responder, ou não.

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