Hermione e o Tempo

Os muros eram altos demais para alguém passar. Então ninguém a incomodava. As canções e os sonhos a mantinham aquecida entre livros e amores enterrados em sua cabeça, mas não em seu coração. Carregava o mundo num olho e o vazio no peito. Podia sentir os ventos vindouros, como esperança e um quase desespero. Hermione esperava a noite como quem espera a música certa para dançar, para respirar, o ar fresco da lua, e sonhar com alguma promessa obscura escrita na borra de café daquela tarde dizendo que o fogo e a liberdade precisam apenas de oxigênio e espaço para se espalharem. Hermione parava o tempo em sentimentos que não podia domar, enquanto acalmava a tarde em vontades que não podia sufocar. Esperava o mundo girar outra vez e se a por de novo em aventuras, que mostrasse não mais sua face escura, mas que brilhasse na noite e trouxesse algum louco amor como água a lábios secos no deserto. Hermione só queria o certo, ser não campo estéril mas simples brotar.