A vida: sozinha, vazia

Sempre há alguém que complete o seu copo, mas ninguém disposto a completar seu coração. O álbum está repleto de sorrisos, mas o travesseiro manchado por lágrimas. Aos finais de semana há uivos de uma alcateia de amigos, mas, na rotina diária, o silêncio do gelo. A brasa do cigarro é acesa por um isqueiro, mas não há isqueiro que acenda a esperança. Noites crianças, dias idosos.

Cidades em que os prédios ‘se levantam’ com rapidez, e o amor é derrubado com a mesma agilidade, tornando os corpos cada vez mais homogêneos ao ferro, vidro e ao concreto. Às vezes, “bom dia” é a única palavra que se ouve; às vezes, se predomina o silêncio.

As luzes acesas, vistas nas janelas dos arranha-céus, contrastando com o escuro, formam desenhos. Nas sacadas, pessoas observam o caminhar apressado dos pedestres: distantes, pequenos. Pedestres, que caminham apressados pelas ruas, veem pessoas observando a noite pelas sacadas de seus edifícios: distantes, pequenas.

Construções acotovelam-se, mas as pessoas nem se esbarram; não se olham. Estão preocupadas demais com o emprego, com os estudos, com o futuro. Não se dão conta de que a vida é agora e que há milhares, milhões e bilhões de pessoas para se conhecer e se viver e amar. As pessoas estão preocupadas demais, atrasadas demais, estressadas demais, mal amadas demais.

Não há mais tempo para o amor, mas, nos bares, os copos continuam cheios e, nas janelas, há pessoas que observam a vida; sozinhas, vazias…

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