QUANDO TE CONHECI

Quando te conheci, minha melancolia transformou-se em alegria, minha solidão em companhia, minhas palavras uniram-se e se tornaram poesia. Meu mundo sempre foi redondo, mas só começou a girar quando te conheci. Meus versos são teus, eu te poetizo, te canto, te declamo, te motejo e digo que te odeio, todavia basta uma inferência e vais ver que nas entrelinhas está escrito que eu te amo.

Mudaste minha cosmovisão, mas mudanças são normais ao te conhecer, se o Nietzsche te conhecesse, não seria mais niilista, o Schopenhauer seria otimista, todas as músicas do Pink Floyd seriam de celebração, as distopias seriam transformadas em utopias, o Chico Buarque te faria umas 50 canções, o Shakespeare te citaria em todas as suas obras. Aristóteles, Platão, Sócrates e todos os filósofos procurariam entender a sua profundidade, moça. O sol nunca iria se por, não haveria noite.

Quando te conheci, as coisas mudaram, minha clássica sintonia, tornou-se samba. Meu Rock, em MPB, meu classicismo, em romantismo. És minha obra de arte favorita, não sei quem a pintou, mas quem o fez certamente não conseguiu fazer nada mais belo posteriormente. Quando te conheci, minhas técnicas de semântica perderam todo o sentido, nas minhas frases já não encontras mais função sintática, como é possível? Quando te conheci, a literatura tornou-se uma anarquia, todos escrevem para ti, apesar de ninguém saber descrevê-la. Agora já não há mais parnasianismo, barroco, concretismo, arcadismo, nem nada do tipo, todos estes se fundiram e deram início a um movimento com o seu nome, pequena.

A ultima coisa que o Beethoven ouviu antes de ensurdecer, foram as batidas do coração, então até entendo o porquê de suas sintonias posteriores serem tão perfeitas e aclamadas pelo público erudito, é mais que notório que você foi a fonte de sua inspiração.

A psicologia não pode te explicar. A física da refração de luz e da eletrodinâmica fracassam ao tentar entender a intensidade do brilho que há em seu olhar. A segurança da informação torna-se impotente, pois você é do tipo de criptografia escrita pelos alemães na segunda guerra mundial, nem a Enigma conseguiria te decifrar.

Fazes guerra em meu peito, moça. Costumas dizer que és um livro aberto, mas como te ler se meus olhos estão fixos em teus olhos. Nem mesmo o Dan Brown conseguiu escrever algo tão misterioso quanto a sua personalidade; o Robert Langdon seria como um bebê recém-nascido tentando entender física quântica ao tentar te decifrar.

Quando te conheci, achei que eras um espécie de buraco negro, pois sua densidade foi o suficiente para deformar meu espaço-tempo. És feita de uma linguagem que eu não entendo, mas que também não procuro entender. És um paradoxo. És a mensagem oculta nas camadas de pintura do quadro Mona Lisa.

A teoria de Darwin só fará sentido se a premissa do que evoluiu foi o meu amor por ti. Meu habitat natural é do teu lado. Já me tranquei em meus sentimentos, mas hoje não tenho medo de dizê-los abertamente a ti. Nietzsche dizia que sem música a vida seria um erro, eu digo que sem ter te conhecido, a vida seria um erro, mas ainda bem que te conheci.

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