Roxxxy, Alaska, Katya e Detox, as 4 finalistas da corrida das drags americanas

May the best woman win

Essa semana chega ao fim a segunda edição do RuPaul's Drag Race All Stars e as 4 finalistas disputam a coroa e o cache magya de US$ 100.000,00. O coração do público, prêmio adicional independente e paralelo à produção do programa, já elegeu sua favorita. Gravado há mais de um ano, a vencedora e toda a audiência só ficam sabendo do resultado final na exibição do último episódio. Todas já interpretaram suas vitórias para as câmeras, mas a edição final fica guardada até ir ao ar.

Como um assíduo e atento espectador desses artistas, deixo minha leitura sintética sobre cada uma. Sem fazer previsões, mas colocando fatos em perspectiva pra fazer uma aposta.

Roxxxy

Começou muito bem, voltou mais sarada, com retoques bem sucedidos e determinada a recuperar o filme queimado de sua temporada. Era muito agressiva com a concorrente Jinksy, tanto que admitiu, posteriormente, que sentia que era inferior em algumas habilidades da colega. Sofreu uma onda de hate dos espectadores e, acredito, usou isso a seu favor. Amadureceu, deixando de lado aquela necessidade de agredir quem a intimida. Recebeu o primeiro prêmio adicional desta edição, deixou seu legado no primeiro lip sync for your legacy, mas desacelerou nos demais desafios. Parece ofuscada com o desempenho da dupla Katya e Alaska. Está salvaguardada pelo forte vínculo que tem com as amigas concorrentes. Virou sinônimo de competidora arrastada, que permaneceu no programa somente por lealdade das manas. Sinto falta daquele lado mais vadia e briguenta, mas acho que ela não pretende mais agir daquela forma. Voltar mais mansa a fez menos competitiva.

Alaska

Sinceramente? Foi a que produziu coisas que mais me agradam. Ela não é uma excelente cantora, mas compensa com tudo o que uma grande estrela entrega. Comprometida, discreta nas suas tempestades, bem humorada, ajuda as amigas quando pode, cria e produz em conjunto com profissionais que ampliam seu talento. Ao repetir padrões mais clichés do meio, o faz com ironia e bom humor. Sabe ler as pessoas e reproduz o que a agrada sem receio algum de ofender a pessoa homenageada. Vejo que ela canaliza toda a competitividade no próprio trabalho, sendo fiel ao seu estilo, flutuando entre as rasteiras que aparecem em seu caminho. Estava em plena ascenção na competição até o episódio em que vai, pela primeira vez, para o bottom. Desmorona nos bastidores e revela um lado que deixou parte dos fãs decepcionados, como se todo o bom trabalho realizado até o momento se perdesse na memória. Até o apelido que havia conquistado (Alaskotada) deixou de fazer sentido depois da sua tentativa de suborno exibida no episódio de sua queda. Ao meu ver, manteve uma postura respeitável até aquele momento, apenas mostrou com mais ênfase suas vulnerabilidades, que causaram mais antipatia do que solidariedade. Deu ótimos exemplos na última semana de como rebater o ódio da audiência sem jogar merda no ventilador, nem perder o próprio eixo com críticas ao seu comportamento. Apesar dos pesares está pronta pra coroa. Aceitem.

Katya

Drag, no geral, é meio louca. Se não, seria secretária, contadora. Katerina é uma prostituta russa que dança e se contorce o suficiente pra deixar qqr um com inveja. Tem um senso de humor afiado, ágil, perverso e doce ao mesmo tempo. Ligada no volume máximo sempre, deve ter uma energia contagiante e intensa. Katya consegue ser a mais louca das drags. Sou um feliz espectador de suas piruetas e aberturas de perna. Voltou com muito mais flexibilidade, em todos os sentidos. Tem dificuldade de trabalhar com a energia mais baixa, com sutileza, sem usar tanto o corpo. Vai do top ao botton e depois volta ao top sem entrar em crises, aparentemente. Se até a Bjork riu de sua imitação nesse último Snatch Game, vamos respeitar, e muito, a moça. Devido ao fortalecimento do vínculo entre as demais concorrentes do top 4 (ROLASKATOX), ganhou a simpatia da audiência e cativou um engajamento que a destacou sem qualquer comparação com as demais. Teve, até o momento, mais do que o dobro dos votos da segunda colocada (Alaska) em pesquisa realizada pela própria produção do programa no Twitter. Para desgosto da sua torcida, esse não é um critério decisivo na deliberação final de Ru.

Detox

Por vários motivos me identifico muito com esta linda boneca. Muitos a comparam com Claudia Raia, e acho que a própria atriz brasileira deveria se inspirar um pouco nesta drag. É uma das melhores shape shifters, no sentido mais original da palavra. Modelou seu corpo inteiro em plásticas e fala isso sem aquele ar brega e arrogante comum de quem é adepto a mudanças corporais via cirurgias. Acho que é a maior concorrente da Alaska nesse momento (sem levar em consideração a opinião de audiência). Canta, dança, faz perder o fôlego com seus looks (e com sua bunda), sabe entreter com um microfone na mão. Foi o elo fraco do trio ROLASKATOX e ficou na quarta posição em sua temporada original. Fiel às amigas, deixou a audiência zangada por proteger as manas nesta edição. Faz todos os requisitos pra ganhar, mas deixou que o clima de irmandade sobrepusesse seu próprio talento.

De nada, more