Nutrigenômica — futuro da nutrição

O termo nutrigenômica, ou genômica nutricional, é o estudo do impacto de nutrientes na expressão gênica, que permite conhecer o mecanismo de ação das substâncias biologicamente ativas(alimentos funcionais), contidas nos alimentos, e seus efeitos benéficos para a saúde humana.

Com isso, a nutrigenômica fornece meios para prevenir e tratar o desenvolvimento de doenças por meio da alimentação. A nutrigenômica surgiu no contexto do pós-genoma humano e é considerada área-chave para a nutrição. Seu foco de estudo baseia-se na interação gene-nutriente, que pode ocorrer de duas formas: nutrientes e compostos bioativos dos alimentos (CBAs) que influenciam o funcionamento do genoma e variações no genoma que influenciam a forma pela qual o indivíduo responde à dieta (FIALHO, 2008).

O objetivo da nutrigenômica é caracterizar um fenótipo saudável, tornando possível a distinção entre o estado saudável do estado predisposto a adquirir alguma doença, podendo assim intervir com dietas pertinentes ao estado gênico do indivíduo (LAMPE, 2006). Através de dietas personalizadas, com base no genótipo, a ciência visa a promoção da saúde e a redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, o câncer, o diabetes, entre outras (FIALHO, 2008).

Os alimentos são dotados de nutrientes e compostos bioativos que desencadeiam efeitos moleculares, benéficos ou não ao organismo, dependendo de quais genes apresentam sua atividade alterada. Os alimentos funcionais, por exemplo, são conhecidos por gerarem benefícios ao organismo; no entanto, este efeito não é similar em todas as pessoas e sim, dependente das características genéticas individuais: um indivíduo pode ser mais suscetível às propriedades funcionais que outro (GARCIA-CASAL, 2007). Nesse sentido, interesse tem sido atribuído à capacidade que nutrientes e estes compostos têm de alterar a expressão gênica.
 Nossa alimentação é composta por inúmeras moléculas químicas nutricionais, sendo cada uma capaz de regular diferentes processos biológicos. Por isso, a nutrição é uma verdadeira ciência integradora que está bem posicionada por meio da ciência da nutrigenômica, que busca explorar todas as variáveis em vez de se manter estagnada em conceitos já aceitos (ZEISEL, 2008).

Atualmente, existe grande expectativa em torno da ciência da nutrigenômica, uma vez que com o sucesso dos objetivos propostos, será possível orientar dietas personalizadas. Desta maneira, cada pessoa receberia uma orientação individualizada, que atenderia às suas variadas necessidades .

Uma intervenção nutricional baseada em características genéticas individuais, pode tanto prevenir como auxiliar no tratamento e cura de doenças. Isto porque já se tem o conhecimento de alguns genes que estão diretamente relacionados com o desenvolvimento de doenças, como diabetes, osteoporose, cardíacas, entre outras.

Não é difícil observar que os benefícios e malefícios da ingestão dos alimentos não são iguais para todo mundo. Ou seja, o grau de influência da dieta na saúde pode depender da constituição genética. A própria escolha dos alimentos e o apetite certamente são influenciados pela constituição genética. Sabe-se, de fato, que as necessidades de alimentos, nutrientes e compostos bioativos variam de um indivíduo para o outro e influenciam o risco individual de doenças ao longo da vida.

Apesar de todos os pós e contras, há expectativas de que em um futuro muito próximo as novas pesquisas forneçam informações suficientes para agregar inovações no ramo de intervenções nutricionais otimizadoras da homeostase metabólica de acordo com constituição genética individual (PALOU, 2007).

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