Aceitei minha imaturidade e tô em paz comigo mesmo

Assumo: às vezes me pego calculando quais são minhas conquistas aos 24 anos em comparação à familiares, amigos e conhecidos (não façam isso em casa). No resumo da ópera, termino a análise num misto de satisfação e atraso.

Satisfação porque não tenho um filho para criar. Atraso porque não sou maduro o suficiente para cogitar ter um filho para criar. Dicotomia um tanto quanto ridícula, mas que revela minha imaturidade — que é o que me incomoda(va) muito.

Sim, eu sei o quão desnecessário e infantil é ficar comparando quem tem o pau maior na vida adulta, mas é o que a gente faz quando abre o Instagram. E não, não estou fazendo julgamento de valor com quem tem filho na minha idade, apenas que isso, para mim, me parece mais um plano para uma outra vida do que para essa.

A questão é que eu ainda tenho dificuldades em fazer escolhas que são consideradas responsáveis e adequadas para a minha idade, e isso se tornava um martírio para mim. E não estou nem falando de grandes decisões, como qual pós-graduação devo fazer ou se é hora de investir em uma previdência privada. O nível de dificuldade de decisão que me encontro é “pago o condomínio atrasado ou uso esse dinheiro para comprar cerveja?”.

#WhiteGirlProblems à parte, comecei a perceber que parte do meu sofrimento vinha da tentativa de atender expectativas que não eram minhas, o que não é muito justo com meus feitos e objetivos pessoais. Desde então, fui fazendo paz comigo mesmo e entendi que ser adulto não tem nada a ver com ser maduro.

O mais engraçado nessa constante reflexão de “será que estou onde eu deveria estar?” ou “será que estou fazendo a coisa certa?” é quando o pensamento “quando eu crescer…” aparece passeando timidamente pela minha cabeça.

Quando eu crescer quero trabalhar com audiovisual, mais precisamente na produção e direção de videoclipes. Ou talvez quero só escrever mesmo. Quem sabe invista em escrever roteiros, mesmo com o medo de mirar no Judd Apatow e acertar na Tati Bernardi. A realidade é que eu sei o que quero, mas não sei se estou me esforçando o suficiente para fazer isso dar certo.

Portanto, se imaturidade é o nome que se dá quando você não está disposto a entrar no jogo de pressões para conquistar seu primeiro milhão antes dos 30, ok, pode me chamar de imaturo. Assumo que não me sinto preparado para dar alguns passos e descobri que só o tempo e os erros vão me dizer quando será a hora.

Depois que aceitei isso e percebi que até as pessoas que eu mais admiro são imaturas em vários aspectos, ficou mais fácil engolir a cerveja gelada antes de me arrepender no dia seguinte.