Tear her apart

Todo mundo tem seus segredos, e D. Juliana Arroyo protegia os seus com a própria honra. Mulher dedicada, dona de casa de propaganda e mãe amorosa, agora avó com cheiro de amaciante, não podia nem sonhar em deixar que todos soubessem o tesão que tomara seu corpo após a menopausa.

Não é que não tenha vivido o suficiente, não. Tivera alguns namorados antes de se casar com o Isaías — que não era nenhum leão, mas dava pro gasto. Na menopausa, fora acometida por calores e tremores nunca dantes tais, e se masturbava no escuro do quarto enquanto Isaías roncava sem dentes a seu lado. Não queria humilhar sua impotência, e nem despertar sua desconfiança. Depois que ele morreu, viu que ainda estava aprisionada na jaula moral construída a seu redor. Não era feia — ainda estava inteira para seus 62 — mas já era avó, não queria nem imaginar o que seus filhos pensariam se ela arrumasse um namorado. “Tenha dó, mãe!”, diria certamente o Fernando, que era moralista de sofá e descanso de copos.

E o tesão só aumentava. Como não tinha coragem para entrar em uma sex shop, aprendeu a entrar na internet para comprar um vibrador. Adquiriu um tablet escondido (era Fernando que mexia no outro, e se ele fuçasse e descobrisse?), e aprendeu em um curso de terceira idade como fazer.

Mas não chegou nem a comprar o tal do vibrador. Lá no curso, uma velha menos velha que ela (58 anos apenas, viúva há 12) ensinou o caminho dos encontros virtuais.

“Menina, você tem que ver. Um monte de coroa bonito, viúvo que nem a gente…”

“Mas eles querem namorar, casar…?”

“Que nada, só se divertir também. Ou você quer casar de novo?”

“Não… Mas eles… eles…” — e fez o gesto brasileiro que representa a cópula: a mão em concha, virada pra baixo, em movimento de bicada.

“Alguns, alguns… Particularmente, eu já não gosto, sabe? Quero um velho só pra curtir uma música ao vivo, uma prainha em Paquetá… Até porque pau mole ninguém aguenta, né?”

“Que isso, menina!” — D. Juliana se fingia indignada. Mas também não queria pau mole. Queria pau duro, rasgando, e ficava sem ar só de pensar.

- As meninas estão cochichando por quê? — disse Jumar, o instrutor bonitão. Bom, bonitão para as senhoras.

- Nada, bonitão. Você está um gato hoje, Jumar! — dizia Geruza, a mais nova, só para provocar.

- Que nada, Dona Geruza, são seu olhos…

Mais tarde, em casa, D. Juliana começava “suas estripulias”, como ela chamava. Em uma sala de bate papo, conversara com vários pretensos pretendentes: Carinhoso52, Ferreiraum, JaimeCoroa e Hunter1949. Não sentira firmeza em nenhum deles. Preferiu entrar em uma sala de sexo, e saciou-se vendo fotos e vídeos, até que uma janela se abriu em privado.

Baphomet “Olá, MaduraProcura. O que você procura?”
MaduraProcura “Rola” — D. Juliana foi direta.
Baphomet “Me manda uma foto?”
MaduraProcura “Você primeiro”.

D. Juliana gostou do que viu. Era grande, e mais bonito que o último que se lembrava. Aliás, não se lembrava mesmo a última vez em que vira o Isaías assim, inchado. Tirou a camisa e teve vergonha de seu corpo. Sua pele, muita branca, já tinha algumas pintas escuras da idade. Mas estava morrendo de tesão, colocou um sutiã mais bonito, um pouco transparente para mostrar suas auréolas inchadas, e tirou uma foto bem de perto.

Baphomet “Cabem na boca.”
MaduraProcura “Você também”.
Baphomet “Duvido muito.”
MaduraProcura “Prometo que vou me esforçar”.
Baphomet “Não espero menos.”

Conversaram mais algumas vezes depois disso. Trocaram fotos de corpo inteiro, ele não era novo, mas era bem cuidado. Achou-o bonito.

MaduraProcura “Por que você não olha para a câmera? Não consigo ver seus olhos”.

Ele mandou uma foto sorrindo, de óculos escuros, aos pés do Cristo Redentor em um dia nublado.

Baphomet “Nesta eu olho.”
MaduraProcura “Mas está de óculos, bobo, rsrsrs”

Ele a elogiava, dizia que era bonita. Elogiava seus seios, sua pele, seu sorriso. D. Juliana remoçava, com aqueles galanteios e as sessões furiosas diárias de masturbação para ele. “Mamãe, tem alguma coisa diferente em suas roupas. Não me diga que está querendo namorar, depois dessa idade?”, disse Fernando uma vez, no almoço de domingo. “Deixa de ser bobo, menino, só gosto de ficar bonita”.

- Vovó está cada dia mais bonita!

- Obrigada, meu feijãozinho. Quer mais sorvete?

Gostava de vê-lo esporrando, mesmo assustada com aquele pau que parecia imenso na câmera.

Baphomet “Ele gosta de você.”
MaduraProcura “Dá pra perceber, como ele fica animadinho”
Baphomet “Você ainda não viu nada.”

E todo esse papo levou a uma urgência que D. Juliana ainda não havia conhecido. Queria aquele homem todo, queria aquele pau em todos os lugares onde ele pudesse e conseguisse entrar, queria cheirar, morder, agarrar. Só tinha medo de se apaixonar, mas isso ela via depois, no momento a vontade era só apagar aquele incêndio que começara apenas depois da menopausa, aquela ganância toda.

Marcaram por telefone em um motel discreto, e a voz dele já a deixara ansiosa. Não se tratavam por nomes, apenas por aqueles nicks pré-escolhidos, e combinaram já dentro do motel para que ela não se constrangesse. Era loucura, ela sabia, mas tornar a coisa toda impessoal a confortava. Era apenas sexo, ora. Estava velha mas não estava morta.

Quando ela chegou, o quarto estava escuro. Sua silhueta cresceu para ela, suas mãos fortes a pegaram pelos ombros e ele a beijou, e foi como se a sua língua fosse maior que o pau que ela via na telinha, lambendo os cantos mais secretos de sua boca e de sua alma. Gentilmente, ele a pegou no colo, deitou-a na imensa cama e tirou suas roupas. Beijou todo seu corpo, estendendo para toda a sua carne a habilidade que demonstrara no beijo. Se não estivesse tonta de tesão, diria que viu seus olhos faiscarem enquanto sua cabeça estivera pousada entre suas pernas.

Então ele parou de frente para ela, e ela pode ter nas mãos o que só conhecia por imagem. A cada afago, a cada lambida, ela sentia aquele homem crescer e se endurecer mais e mais em seus dedos e lábios. Queria que ele gozasse em sua cara, sempre tivera nojo de esperma mas desta vez queria tudo. Ele não permitiu e, sem dizer uma palavra, deitou-a de barriga pra cima, afastou carinhosamente seus joelhos e se postou entre suas pernas.

D. Juliana reprimiu o grito quando Baphomet entrou nela. Estava muito tempo sem sofrer penetração, e mesmo com toda a lubrificação — que aumentara muito após a menopausa — a dor foi intensa, como se estivesse sendo rasgada no meio. Ele era grosso, muito mais grosso que Isaías, e maior, maior do que parecia no vídeo. Mas era gentil, e quando se plantou todo dentro dela, parou e mordeu sua orelha, para que ela se acostumasse. Uma lágrima saiu do canto de seus olhos, e ela se sentia toda a latejar, do sexo à cabeça.

Lentamente, ele começou a se movimentar, com seus quadris em movimentos pendulares e sua vara lacerando cada milímetro de suas entranhas. D. Juliana achava que ia melhorar com o movimento, mas não. Ela enfiava as unhas nas costas dele com força, tentando igualar a força com que era rasgada, mas ele não parava. Finalmente ela tomou coragem e disse, quase um sopro:

- Para… Por favor…

Mas ele pareceu não ouvir, e agora seus movimentos eram mais rápidos e ritmados. A dor aumentava, como se aquele pau estivesse crescendo dentro dela. Seus músculos internos das coxas doíam, e seu clitóris parecia estar em carne viva, o púbis de Baphomet pressionando toda a entrada de sua vagina. Não era apenas uma impressão, ele estava realmente crescendo mais dentro dela a cada movimento.

- Para… Para… — ofegava, suava, e começava a sentir algo quente e grosso a escorrer por seu períneo, e sabia que não era sêmen.

O orgasmo a arrebatou com violência, no mesmo momento em que perdia a força nas pernas e sentia se arrebentarem os tendões que prendiam os músculos de sua pelve à bacia. Semidesfalecida, sentiu as mãos (agora gigantes) de Baphomet quase esmagando seus ombros enquanto seu pau a atravessava por dentro, além do útero. A última coisa que ouviu foi um berro descomunal, de fera em ira, e o barulho de couro sendo esfregado, então algo explodiu na altura do seu ventre e a destruiu por dentro.


A primeira impressão da copeira foi a de que aquela pessoa (que não soubera definir de imediato se era homem ou mulher) havia sido atacada por um ou dois animais famintos, talvez coiotes. Só que não existiam coiotes no Brasil, e a perícia não soube determinar a causa, apenas a mortis violenta. A família não mediu esforços para encobrir toda e qualquer investigação, engolindo a morte juntamente com a vergonha coletiva de sua matriarca haver morrido em um motel, quase dividida ao meio e com os restos envoltos em uma quantidade anormal de porra.

Todo mundo tem segredos, e este a família Arroyo guardaria nauseada, para sempre.