Emprego ou empreender?

Crise econômica pauta a vida profissional de milhares de pessoas. Tem para onde correr?

Recessão, economia em crise, desemprego. Quem é que não convive com esses fantasmas pelo menos uma vez durante a construção da carreira profissional? O ano de 2015 é de desaceleração e a resposta para a pergunta anterior está bem diante dos olhos de todos: repare quantas pessoas ao seu redor buscam novas oportunidades de recolocação profissional.

Muhammad Yunus, economista bengali Nobel da Paz (2006) pela criação do microcrédito para comunidades miseráveis ao redor do mundo, defende a tese de que os profissionais modernos devem criar os próprios empregos, ao invés de chorar o desemprego. Mas como “reaprender” ou reprogramar um cérebro predestinado a se formar em uma faculdade, especializar-se e construir sólida carreira em uma instituição particular ou pública?

O empreendedorismo é um conceito que me seduz há anos. Empreender significa realizar, tentar e criar. E errar, e tentar de novo até acertar. E saber também a hora de parar. O empreendedor dá as cartas e estabelece metas, colhendo exatamente os frutos que plantou. Nesse conceito, via de regra, competência é sempre sinônimo de sucesso.

Tudo muito fácil, não é? Agora é a hora de empreender pra valer e criar seu próprio emprego. E aí, qual a sua ideia para sair do lugar?

Tenho tentado e encontrado bastante dificuldade em etapas deste processo, principalmente por praticamente não ter margem para erro em minha aposta, o comércio. A inexperiência é outro fator determinante para temer o incerto. Ah, e convencer alguém de que uma ideia é legal nem sempre é fácil quando a 2ª etapa deste processo é o convite “investe metade do dinheiro e vira meu sócio?”.

Tive a oportunidade de trabalhar nos últimos três anos em uma agência de eventos corporativos cujas sócias são minha mulher e a irmã. A rotina me mostrou o quão difícil é tomar decisões no negócio, principalmente quando há a necessidade de dividir essas decisões com sócios. Vi também todos os detalhes chatos da administração, que permitem que o empreendedor tenha todas as obrigações legais cumpridas.

Há algumas soluções disponíveis para quem está neste estágio em que eu me encontro, principalmente quando se tem uma ideia formatada na cabeça e no papel. As incubadoras de projetos, espalhadas pelo país, imergem o empreendedor nas atividades citadas acima, dando suporte administrativo, contábil, financeiro e jurídico até que o negócio esteja bem formatado e possa voar sozinho. O problema é que nem sempre é possível o acesso às incubadoras, que recebem muitas solicitações e precisam apostar em apenas algumas delas.

Putz, então vou ficar em casa procurando emprego. Alguém tem um emprego ou pode me indicar para quem precise?

Nem lá, nem cá. Por um lado, não precisa se desesperar: sua ideia pode não ser a melhor ou a mais inovadora do mundo, mas pode suprir necessidades de um público específico ou da região onde ele está localizado. Um café dentro de um shopping pode não ser a melhor das ideias (pela quantidade de cafés espalhados pelos shoppings), mas ele pode se destacar naquele quarteirão que você conhece que é cercado de empresas e não tem opções!

Do outro lado, maturar um pouco mais o seu projeto ou pensar em novas oportunidades mais inovadoras pode ser bom, e pra isso o emprego pode funcionar bem. É uma ótima maneira de estudar novos conceitos e te ajudará a não perder o fôlego financeiro destinado ao investimento no seu empreendimento.

Importante: converse com quem tem ideias empreendedoras ou com quem já empreendeu. Geralmente essas pessoas têm muita disposição em ajudar. E não esqueça de passar para o papel aquelas ideias geniais que você tem na cabeça sobre o negócio. É o primeiro passo para que o seu projeto de empreendedorismo possa, uma hora ou outra, sair do papel!

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