Opinião não é briga de torcidas

A humanidade não deu errado, não. Ainda dá tempo de aprender a respeitar o ponto de vista dos outros

Os últimos dias foram particularmente complicados para quem acredita na solução dos problemas da humanidade e quer dias melhores pros filhos. Alguns temas, para breve contextualização: redução da maioridade penal, apresentador de TV versus legião de fãs de cantor, aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA, vexame brasileiro na Copa América. Em qual destes assuntos você não se viu envolvido nas últimas 72h? Em quantos deles você escolheu um lado e atacou o lado oposto?

A transformação das relações interpessoais em “guerras declaradas entre lados opostos” é assustadoramente jogada em nossas caras todos os dias. Os assuntos mais quentes do momento se transformam em rivalidade mortal com a mesma agilidade em que entram e saem de discussão. Ninguém tira o pé, ninguém abre mão, nem mesmo quando a guerra em questão envolve blá blá blá sobre assuntos banais (posso dar um exemplo de assunto banal ou você irá me confrontar?).

Há quem culpe as redes sociais ou a ‘proteção’ de estar escondido por trás de um computador pela explosão de ataques a opiniões que vemos atualmente. Há até quem compartilhe a ideia de que o debate virou Fla x Flu faz tempo -e um dos lados sairá derrotado!

Sou dos que creem que cada um deve formar o próprio ponto de vista e defendê-lo, entendendo que o peso da opinião carrega peso igual de responsabilidade. E entendendo também que do outro lado pode -e deve!- haver opinião divergente. É o debate que nos leva a derrubar convicções muitas vezes equivocadas e romper os famosos paradigmas. O contexto parece estranho, de tão óbvio, mas é cada dia menos aplicável em nossa sociedade.

Nunca vi necessidade de discutir meus pontos de vista sobre tudo. Tenho meus assuntos favoritos cujos temas serão recorrentes por aqui, claro!), não preciso falar sobre o que pouco conheço e tenho necessidade zero de impor opinião goela abaixo de alguém. Nunca tentei vender minhas verdades, mas sim avaliar e ponderar lados distintos de um mesmo assunto. “Toma aqui, forme aí o seu próprio conceito sobre este assunto.”

Da infância retornam aquelas lembranças distantes da “teimosia dos mais velhos”, que defendiam seus pontos de vista com a convicção de quem nunca abriu a mente para tentar entender a razão da opinião contraposta. E hoje, quem são os tais “mais velhos” que não abrem mão de suas verdades? Você e seus amigos no grupo de Whatsapp? Seus pais? Ou seus filhos no intervalo da escola?

Vivemos tempos em que “você tem todo o direito de ter uma opinião, desde que ela seja igual à minha”. Do contrário, “você é o meu pior inimigo”. “Saia das minhas redes sociais, não me importune com seus conceitos estapafúrdios”. É esse o míope comportamental que veste sua camisa, empunha sua bandeira e vai às ruas lutar pela tal democracia…

No mundo ideal, fico com a bandeira branca. E você?

gabrielsouzaelias@gmail.com

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