Efêmera, Capítulo 1: Efemeridade

Seus lábios eram pequenos, em uma medida exata para o contorno de seu rosto. Era possível observar, mesmo com a barba, o contorno de seu maxilar. Allan era um homem forte e magro, embora não tão magro e não tão forte. Seu cabelo liso iludia ser castanho escuro, enquanto sua barba confessava um castanho claro. Sua pele lembrava-me o calor, suas expressões me lembravam da chuva, seu sorriso era incontestavelmente culpado pela recordação de dias primaveris onde o calor e a chuva dançam em uma melodia amena. E seu perfume, dono dos temporais mais raros. Nunca imaginei que encontraria alguém como ele naquele lugar.

Aquele lugar… era uma paisagem verde tão constante que poderia dar vertigens, sei disso, pois, eu sempre ia até lá, principalmente quando eu era criança. Mudar-me para lá era uma maneira de renovar a existência, deixar de lado um passado doloroso e começar do zero, vencer as barreiras que outrora amorteceram minhas quedas. Buscar por mim mesma em mim mesma, este era o objetivo principal.

Eu morava na Capital; grandes prédios e paisagem cinza. Gosto da cidade grande, de prédios altos brincando de alcançar o céu. E era estupidamente iluminada durante as noites e levemente melancólica nos dias claros da semana. Eu estava bem na Capital, havia escolhido a inércia da impropriedade e isso era suficiente. Bem, isso parecia ser suficiente até eu abdicar minhas escolhas, renunciar o que em volta de mim tornou-se extenuante, pisar sobre o chão, senti-lo. Decidir, finalmente, fazer algo para mudar toda mesmice. E era tudo tão análogo que me dava tanta vertigem quanto aquela paisagem, aquele verde constante.

Eu me indagava o que eu pretendia dentro de mim, além de destruir a mesmice e libertar-me das areias que me prendiam ao passado. O que eu pretendia no mais escuro e inacessível eu? Eu buscaria saber agora, na liberdade e na mudança, eu buscaria renascer. Por algum motivo, o que estava pulsando em minha mente era aquela sutil palavra: efemeridade. Como ser mais efêmera? Deixar de lado a busca pelo sentido da eternidade que, eu sempre soube e todos sempre souberam, não existe. Tudo é obscuramente findável. Isso me faz recordar das palavras fortes daquela música de J. R. Richards: “how long here in the loneliest haze of life — we die”. Essa sempre será a única asserção, a vida sempre trará o abismo de um fim. E eu pensava ter total consciência deste fato.

Passamos por paixões tão avassaladoras que nos fazem experimentar o doce sabor do “para sempre”, para depois decairmos no amargo gosto do “Acabou”. É disso que se trata a vida, é por isso que é necessário ser efêmera. Em minha mente, tudo fazia sentido. Ao menos, na teoria. Naquele momento eu saberia se, na prática, era realmente fácil não se apegar na ideia, ilusória, de eternidade.

Uma hora e meia de viagem, meus pensamentos já condenavam minha existência, será que era isso mesmo que eu almejava para mim? Minhas certezas de outrora, a confiança em buscar a efemeridade, tudo isso deu lugar a um “será?”. Eu já contestava meus próprios motivos e feria minha própria razão. Indo contra meu desejo primevo, eu me sentia confusa; talvez eu devesse continuar na antiga cidade, reverenciando o que havia de mais análogo e beijando a angústia de uma vida maçante que existia desde sempre. Uma dúvida, pelo medo. O fato é que a oportunidade, naquele minuto, era única, e causava desassossego mental.

Eu estou aqui agora, por que desistir? — Pensei. Eu me mudei para esta cidade, abandonei quadros de mar de gente para ouvir o som dos pássaros na janela, às 6h da manhã. Era para ser uma mudança um tanto radical. Eu não desistiria, haviam outros motivos pelos quais prosseguir com a mudança e, um dos motivos havia me ligado umas dez vezes desde que saí da rodoviária. Era Rhea, minha grande amiga. Eu decidi não atendê-la, pois, achei necessário continuar pensando em minhas confusões mentais, minhas dúvidas e dilemas, minhas certezas incertas. Assim eu poderia encontrar mais motivos para continuar e, com isso, acalmar meu ser.

Não estava quente quando cheguei, não estava frio, embora minha pele estivesse fria. Quantas malas há aí, Eliza? — Foi o que me questionei. Caminhei elegantemente para descer do ônibus, isso eu tinha demasiada prática, dei uma piscadela ao senhor que dirigira o ônibus por estas longas quase duas horas, ele retribuíra com um galanteador sorriso que era recíproco a todo instante.

Havia prazer em provocar o sexo oposto, em terapia eu saberia, talvez, o motivo deste desejo, mas devo dizer que toda mulher é capaz de provocar o sex appeal em alguém, o homem não tem muito disso, embora haja quem crê que o homem é sempre maravilhoso em flertar. Eu duvido, a mulher tem capacidade de domínio disto um pouco mais, talvez muito mais.

Ian não estava lá, obviamente, da forma que era avoado não me impressionaria se houvesse esquecido que eu chegaria hoje. Ian é um primo de primeiro grau por parte de meu pai, vive numa casa grande, sozinho. Bem, agora não mais sozinho. Ele trabalha numa das maiores empresas da cidade e, de fins de semana, apenas fica com seus amigos e com seus jogos de imaginação; fichas e personagens fantasiosos sobre uma mesa grande com dados e livros temáticos; eu poderia suportar isso.

Fazia tempo que não o visitava, esqueci-me de seus costumes, de sua casa nua sem quase nenhum móvel, cômodos esquecidos e pouco visitados, uma verdadeira casa abandonada em dias úteis.

Olhei para o rapaz que segurava minhas malas, era jovem o bastante para despertar-me algo que eu não sentia há algum tempo, vê-se a mudança dando-me efeitos. Caminhei até ele, vi seus olhos devorarem meus seios que, pelo decote, davam um ar de ‘seja bem-vindo’. Pensei em livrar-me daquele vestido, mas sua cor me atraía a continuar usando-o; era um vermelho gaultéria, minha cor favorita. De frente ao cavalheiro, debrucei-me para segurar minhas malas.

— Oh, permita-me ajudá-la, senhorita. — Disse-me segurando-as. Eu sorri, olhei para os lados e vi Rhea se aproximando.

Aquela loira esculpida em completo desejo idealizado, desde suas roupas até sua maquiagem. Sorri ao lembrar-me de conversas noturnas entre nós duas, segredos tão suaves que proferíamos com tom de pecado mortal. Rhea era incrivelmente bonita e sempre alegre, eu invejava sua disposição.

— Eliza! Que saudade! — Abraçamo-nos, duas moças com a mesma idade e realmente prontas para alguma festa, embora não houvesse festa alguma. Não havia olhar que não pousasse naquela cena. Beijei sua bochecha e passei meus dedos devagar por seus cabelos ondulados e loiros.

— Estás belíssima, querida! — confessei como se ela não soubesse.

O jovem rapaz levou todas as malas até o carro de Rhea e ganhou beijos duplos na face, pela gentileza. No carro nós continuamos nossa conversa de nostalgia. Rhea era a única amiga que eu tinha na cidade. Nós nos conhecemos no parque, quando eu me machuquei em um dos brinquedos e senti sua mão de anjo acariciar meus cabelos e pedir socorro para as mães que, ao longe, faziam qualquer coisa desnecessária. Eu tinha sete anos. Bastou uma troca de sorrisos entre nós para que continuássemos a nos falar até os dias de hoje.

Naquele instante, Rhea devorou meus olhos com seu olhar intenso e questionador.

— Esse olhar… — eu proferi desconfiada, fazendo-a gargalhar. — Conte-me, garota, qual segredo tens para revelar?

— O mais sórdido, querida.

Aquilo foi o suficiente. Durante a viagem de 30 minutos até a casa de Ian, com uma rápida parada no Ethes, nós conversamos deveras sobre intimidades e segredos. Ríamos como crianças, embora com motivos maiores. Depois de tomar um café, seguimos o rumo à minha nova casa e, ao chegarmos, continuamos nossa conversa enquanto esperávamos por Ian.

— Então tua sina se volta a Hector? — Indaguei.

— Sim. — Ela respondeu se virando no capô do carro, ajeitando seus cabelos e levantando os óculos escuros. Seus olhos brilhavam. — Não que eu vá casar-me com ele ou algo do tipo, mas gosto dele, a forma com que fala. ─ eu sorri imediatamente.

— A fala é uma arma de sedução. — Proferi.

— Oh, Eliza, então vê se utiliza tua arma da sedução, diante a esta nova fase. Tu falas tão bem, despeje tua sedução, querida, e te esqueça do que não te convém. — Novamente sorri, ocultando milhões de intrigas mentais.

— Estou tranquila, Rhea.

— Fico feliz que tu estejas, eu não quero ter de apagar tua volúpia aqui e agora. — Gargalhamos.

De repente, como um trovão imediato, assustador e magnífico, eu ouvi uma voz intensa surgir atrás de mim. Virei meu corpo imediatamente.

— Olá. — Disse ele.

Não era Ian, tinha uma pele mais escura, um tanto bronzeada, seus olhos eram verdes e tristes, mas mantinha sua beleza intacta. Seu corpo era plausível, forte o suficiente para não esmagar em um abraço prolongado. Ele vestia uma camisa azul-marinho, calças jeans e botas. Seu cabelo era curto e sua face estava imersa por uma barba relativamente densa. Ali, tendo nossos olhares entrelaçados, nós sorrimos um para o outro.

— Olá! — Levantei-me do carro e me recompus, abaixando um pouco o vestido. Estendi minha mão direita em um cumprimento formal.

— Tu és? — Ele indagou-me segurando minha mão de forma carinhosa.

— Eliza Backer. — Sorri.

— És parente de Ian? — Soltamos nossas mãos e eu dei um passo para trás, Rhea abraçou-me por trás, envolvendo seus braços magros envolta de meu pescoço enquanto devorava o rapaz. Ela estava extremamente curiosa. E ele era, de fato, um belo homem.

— Sim. Sou prima. — Respondi-lhe.

— Ah, sim, irás morar aqui agora, não é? Ian proferiu-me algo sobre isto há um tempo. — Ficamos em um curto silêncio de segundos solitários. — Sou Allan Karhy. — Proferiu, olhando-me.

— Sou Rhea Tetzner, amiga íntima de Eliza Backer. — Ele sorriu tímido, absurdamente tímido e belo.

— Perdoe-me a indelicadeza. — Disse Allan para Rhea.

— És amigo de Ian? — Indaguei.

— Sim, combinamos de nos encontrar hoje para jogar.

— Jogos… Vós homens não fazeis nada além de jogar? — Proferiu Rhea fazendo Allan sorrir.

— Jogos de imaginação ampliam a mente e a capacidade intelectual. — Ele proferiu.

— Como se joga? — Indagou Rhea.

— Uma ficha, um narrador, uma história. — Ele sorriu.

— Muito explicativo, Sr. Karhy. — Todos nós sorrimos.

Óbvio que, pela companhia masculina confirmada até a chegada de Ian, Rhea partiu sem delongas, permitindo-me ficar ali, sozinha, ao lado de Allan.

Como poderia exatamente o descrever? Seus lábios eram pequenos, em uma medida exata para o contorno de seu rosto. Era possível observar, mesmo com a barba, o contorno de seu maxilar. Allan era um homem forte e magro, embora não tão magro e não tão forte. Seu cabelo liso iludia ser castanho escuro, enquanto sua barba confessava um castanho claro. Sua pele lembrava-me o calor, suas expressões me lembravam da chuva, seu sorriso era incontestavelmente culpado pela recordação de dias primaveris onde o calor e a chuva dançam em uma melodia amena. E seu perfume, igualmente, dono dos temporais mais raros.

Poderia compará-lo a todo período sazonal intrigante que há neste planeta e noutros, mas não encontraria palavras para descrever seu “poder” de elevar-me a mais pura timidez existente somente pelo proferir oculto de seus olhos verdes. Eu enrubescia como uma criança de quatro anos de idade. Claro que isto o fazia rir sempre, e bastou ficar ali ao seu lado por uma hora para notar o quão interessante era tagarelar com ele sobre o orbe, a existência, o ocultismo, o niilismo ou qualquer loquacidade afável.

Penso que era por causa de seu braço esquerdo tocando levemente no meu braço direito conforme nos movimentávamos, um ao lado do outro, analisávamos o ambiente externo tentando não fazer transparecer o ambiente interno que fervia! Eu não poderia apenas dizer que ele era sexualmente atraente a minha pessoa, pois não somente, ele também era muitíssimo atraente à minha mente, intelectos bem interligados, psiques semelhantes. O que era o principal para mim, pois eu nunca me apaixonei ou desejei alguém por mais de dois minutos após notar que sua inteligência não era muito “vívida” e que não era bem treinada, aqueles famosos cérebros televisivos.

Allan perguntou qual era minha idade no momento em que Ian estacionava o carro perto de nós, nos movemos em direção a ele que logo veio nos cumprimentar. Ian estava com mais algumas pessoas no carro que foram saindo lentamente. Antes de entrarmos, fui puxada pelas mãos de Allan e ali, naquele primeiro verdadeiro toque, anelos nasceram no âmbito do que eu desejava me tornar.

─ Eliza, quero minha resposta, não te esqueças, procurar-te-ei nos meus contatos hoje. Se aceitares, será um prazer. ─ eu o respondi sem palavras, balançando a cabeça de modo a dar uma resposta positiva e, em seguida, subi para o terceiro andar da casa. Meu novo quarto me parecia extremamente grande, ainda que bem decorado.

Vesti-me com roupas menos sufocantes, aquela veracidade sobre minha personalidade que me faz necessitar a nudez quando estou somente em minha presença. Gosto disto, do corpo nu sem qualquer interferência, a noite era quente e merecia um relaxamento apropriado.

Bobagens se acomodavam na minha mente pautada em um só rosto e isso me arrancou sorrisos, Allan era realmente um vício do pensar.

O único computador da casa estava no quarto de Ian e toda casa estava, no momento, impregnada de homens desconhecidos e de mulheres aleatórias. Porventura eu devesse adormecer, mas estava cedo demais para me permitir adentrar o mundo dos sonhos. Retirei o celular de um dos bolsos da mala principal e comecei a checar e-mails. Tudo estava online demais nos últimos anos, não havia como não estar, meus logins eram variados e sempre hospedados em locais diferentes. Em um destes locais havia o nome de Allan como “novo integrante da rede social de Eliza”. Exatamente! Ele foi tão fugaz quanto meu coração ao ler seu nome e ver sua bela foto, aparentemente ele apreciava fotografia.

A noite poderia não possuir presença naquele vasto espaço branco, mas também não haveria solidão. Iniciei uma conversa com ele. Provavelmente conversamos mais de um mês dentro do universo virtual enquanto nos víamos nos finais de semana e, consequentemente, nos descobríamos a cada instante.

Eu já tinha uma proposta de emprego e logo busquei inicia-lo para ocupar minha cabeça com um ofício automático. Ali estava eu, de alguma forma desafiando o fatídico destino em sua crueldade. No curto espaço de tempo, eu também saí com Rhea e conheci sua amiga Dèsireé; os cabelos dela eram encaracolados, seu corpo magro e bem delineado por curvas instigantes, tão iguais a quase todas as mulheres famosas, eu diria, mas seu carisma era um deleite e eu devia aplaudi-la por isto.

Todos nós somos prisioneiros de comportamentos aprendidos e mentes conturbadas, porém, eu costumava permitir que as coisas caminhassem como deveriam caminhar sem uma interferência minha que, se houvesse, seria desastrosa. Havia alguns tantos por cento de probabilidade de eu estar certa em minhas palavras, afinal, eu me conhecia há vinte e cinco anos; já não era o bastante? “Tu és uma mulher comum que só é comum por que desejas.” — disse-me alguém em um dia qualquer de setembro passado. O mesmo ser que me disse isso fez questão de ir embora, em um adeus amargo, no início de dezembro. Porém, entenda, eu aprecio partidas, convivo em meu quotidiano com demasiadas idas sem voltas, eu não me feria, não me importava. Lembro-me sempre da única asserção.

A vida é aquilo que tu fazes dela e a minha vida, no momento, era exatamente fuga e esquiva. Eu costumava entender isso como um não-importismo qualquer. Cada ser aprende uma defesa, apoia-se em alguma sina ou conjectura e eu não me martirizava pela falta de vontade de enfrentar o que me era exposto, até então era revigorante a inércia.

Nas longas conversas matinais, eu e Allan falávamos sobre diversos assuntos e um deles deve ser destaque, pois, sem delongas, este era o verdadeiro prelúdio de um renascimento, ou de um acordar definitivo daquilo que eu realmente era, no fundo inacessível de meu ser.

Falávamos então sobre luxúria, um dos sete pecados capitais, um dos mais deliciosos, um dos mais estimulantes. Sexo não deveria ser pecado, mas por ser, torna-se excitante almejá-lo.

Pelo dom da escrita passei a mostrar a Allan minhas loucuras mais íntimas que sempre morriam no desalento abismal de minha mente em razão de minha falta de vontade, na verdade era covardia, de confessar a mim mesma que eu gostava de pensar sobre sexo.

Era crucial a defesa quando se vive na sociedade dos politicamente corretos, todavia eu já não estava mais entre tantas pessoas, eu estava sozinha diante de uma tela que iludia e dava asas às minhas imaginações.

Uma vez, após quatro curtos/longos meses de conversas, recebi um e-mail dele que continha palavras delirantes que me fizeram implorar pelo sexo veemente e apaixonante que se mantinha sobre o clima criado por nós dois. Eu nunca havia estado tão à flor da pele como estava ultimamente, nota-se, claro, pois as palavras dele não eram tão absurdas como eu as tratei naquele momento.

03h27min

Assunto: Outro sonho noturno.

Mensagem: Sonhei contigo, Eliza, outro sonho lúcido. Porventura o último beijo, a última noite, e mais uma vez, poderia ser a última transa. Acordei pela manhã ponderando se o espaço ao meu lado estaria vazio, eu sabia que estaria, pois foi assim das outras vezes. Procurar-te-ia ao meu lado, procuraria os fios macios de teus cabelos acobreados para acariciar e, minhas mãos apenas teriam a vazio traiçoeiro de um travesseiro; assim eu me indagaria por mais quanto tempo morreria na solidão d’um desejo inexorável. Entretanto, era só notar meu corpo nu envolto a um lençol e marcas arroxeadas pelo corpo, era só sentir a fragrância exclusiva de tua pele, e eu saberia que não foi um sonho.

Por enquanto ainda dividíamos a mesma cama. Observei teu corpo encostado ao meu de forma sensual, tive de permitir que minhas mãos te tocassem, elas subiram por seus seios, massageando-os, e logo não hesitei em substituí-las por meus lábios que sugavam e mordiscavam aquela área com vontade, a língua os umedecia e contornava, e eu podia ouvir teus gritos baixos e gemidos abafados. Tu acordavas lentamente. Hábil, tu ergueste meu rosto, roubando-me um beijo sedento que foi correspondido à altura. Teu corpo pedia pelo meu tanto quanto o meu pelo teu.

Tu começaste a roçar teu quadril enquanto descia os lábios por meu pescoço, tu brincavas ali, apertavas-me e deixavas-me ofegante. Deitei-te na cama e percorri todo o teu corpo com a língua que, cálida, desejava saborear tudo de ti. Penetrei um dos dedos em seu interior e movia-o. Sorri ao notar-te tão deliciosamente extasiada, tracei um caminho até suas coxas com beijos afetuosos, dando pausas inebriantes antes de chegar aonde eu, de fato, almejava e tu tentavas inutilmente forçar-me a ir até lá.

Tu fingiste um pouco mais de resistência e quando menos esperava sentiu uma onda de prazer enorme deixando palavras desconexas e gemidos saírem de teus lábios. Mergulhei em tua vulva e, principalmente, acima de teu clitóris. Teu néctar banhava meu paladar e cada vez mais fugaz eu te consumia, portanto, logo aquele sexo oral já havia te proporcionado o ápice efêmero do início do que eu anelava fazer contigo. Após deixar-te recuperar o fôlego, inverti as posições, deixando-te ficar sobre meu corpo.

Beijei-te de forma intensa o suficiente para que começássemos a nos amar como amantes perversos. Mordisquei e suguei teus lábios, caminhei minha boca por seu corpo com beijos e mordidas rápidas até chegar a mais uma vez ao seu íntimo plenamente úmido e pedinte, penetrei-te ávido. Eu brincava contigo, Eliza, arranhando o teu corpo levemente marcando-o. Penetrando-te e penetrando-te demasiadas vezes.

Tua pele tão lívida, uma porcelana fina e rara, que delícia absurda! E teus seios fartos são um convite à minha boca, menina, eu tive de passar a ponta da língua pelo bico de teus seios antes de tomar-te os lábios num beijo necessitado, novamente, que fora correspondido da mesma forma intensa que eu desejava. Ao sentir que tu havias chegado outra vez ao ápice do orgasmo que eu jurava proporcionar-te todas às vezes, penetrei-te ainda mais voluptuosamente, tu vociferavas teu prazer e eu olhava-te na mais perfeita situação.

Após isso, separei-me de ti e deitei ao teu lado, com tuas costas sobre meu peito e roçando minha barba em teu pescoço, fiquei fitando-te ainda ofegante e com os olhos fechados, os lábios entreabertos, o rosto levemente rosado. Não resisti e fui ao encontro de teus lábios mais uma vez. Dei-te “Bom dia”, trocamos algumas palavras, me vesti e me deitei ao teu lado novamente. Era assim às vezes, fazíamos amor numa completa fúria e depois deitávamos juntos numa paz incontestável.

Eu te disse: “És a mulher que eu amo, a mulher por quem eu daria minha vida em troca de seu sorriso. E era por isso que eu aceitava que essas noites acontecessem vez ou outra, embora eu soubesse que seu coração era livre, não me pertencia, e não pertencia a ninguém. Então, pensei, ainda em sonhos “Era assim que ela era. E apesar disso, eu gostava de tê-la ao meu lado, porque só ela causava aquela sensação em mim. Mesmo que doesse algumas muitas vezes pensar que ela nunca seria minha da forma como eu desejava. Ela era minha, desse jeito estranho, mas era minha”.

Anterior a isto, Allan havia confessado entrelinhas que me desejava e eu a ele com a mesma veemência. Ainda anteriormente ao e-mail recebido, nós havíamos conversado sobre minha angústia amorosa passada e que, no momento, meu desejo era somente ser livre para ter aquilo no qual desejava, para suprir o que surgia no meu ser como o objetivo mais verídico existente.

Tê-lo, formalmente, também era improvável. Sua relação “fiel” com seus colegas e o tal jogo que não abandonava. Tudo isto permitia que nossos anelos fossem ocultados por toques virtuais como este do e-mail. Entretanto, embora eu fosse dona da inércia por desejo próprio, eu já não suportava a distância, meu corpo estava em chamas de pura concupiscência, e ele jogava também com meus impuros talantes. Maldito seja! Notava que, a cada instante desta brincadeira virtual malévola, eu me sentia mais e mais ninfomaníaca.

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