Ressaca

A Redação está de ressaca.
Mas não é de álcool.
É da droga da mistura de intolerância, ignorância e estupidez.
Esse drink é de dar ânsia de vômito até nos mais consagrados pinguços.
No âmbito político, é facilmente identificável.
Está no lado direito da prateleira.
No dia 17, seus adictos beberam todas e deram aquele show.
Todo mundo se intoxicou.
O planeta viu.
Só não vomitou em cima quem não é deste mundo.
Mas essa droga não se limita aos viciados corredores institucionais.
Ela está na vida, na rotina, no miúdo, no dia a dia.
É impossível não inalá-la, porque ela está no ar.
Você fala com alguém e este alguém reage.
Veja bem, não responde.
Reage.
Como se não precisasse nem ouvir até o final.
Como se estivesse no… Facebook.
Bater um papo?
Bater (em alguém), sim.
Papo já são outros quinhentos.
Umberto Eco afirmou que as redes sociais deram voz a legião de imbecis.
Olha, Umberto, uma das virtudes do seu talento era a precisão, mas nesse caso você não foi certeiro.
A droga se espalhou.
O drink é ingerido já no café do manhã.
E o adicto sai pra rua embebido em ódio.
Orgulhoso de sua estultice.