Iaiá sabe onde eu peco

Eu cansei de ser assim. A frase ficou forte demais. Não consigo sequer deletá-la. Mas não tem mistério não. Preciso reagir. Parece-me que todos sabem de algo que não sei. Estou só. Todos têm um grande complô velado. É tão grande que ninguém sabe dele. Apenas eu. A vítima.

O fato é que não se importam como eu me importo. Eles vêm do lado oposto. E esfregam seu gosto por viver. E sabem como agir, o que falar, o que não falar, o que não esperar, a quem abrigar e a quem afugentar.

Nunca fui muito de ganhar. Tento ir devagar, mas me faz falta a sequência do verso. E todo dia o dia não quer raiar o sol do dia. Sou ignóbil. Não sei pintar estandartes e muito menos mudar.

Não quero mudar também. Só acho que cansei. Infelizmente não me ensinaram a ser de outra forma. E parece que ensinaram todo mundo. Estes outros que nem sabem quão abençoados são. Que não suportam ouvir meu chiar. Meu falar explicativo. Faço anúncio e ninguém vê. A luz persiste em seu desperdício, e não importa o copo de café.

Estou fora de moda. Não faz mais sentido ser assim. Paz. Eu só quero paz. Já me cansei de ser o último a querer saber. Vale a pena?

O mundo se globaliza e a gente se distancia. O excesso faz confundir. Era mais simples quando estava ali. Só podia ser ali. E era ali que deveria estar. Aquilo que eu temia, aconteceu. Estou desbotado. Ingenualizado, com o perdão da criação da palavra.

Quantas horas mais vão me bater? Cada dia a mais deve ser um a menos. Só pode ser. Não acho mais lugar. Tropeço a cada quarteirão. Alguém aponta a direção? Iaiá?

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Originally published at mundobede.wordpress.com on October 8, 2014.

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