A ocupação da multimidialidade

O jornalista tradicional precisa se reinventar e se tornar um profissional multitarefeiro cada vez mais

Cada vez mais vem se tornando comum a palavra multimidialidade. E isso não é diferente no jornalismo atual. O que está acontecendo é a necessidade de inovação nesse cenário, e a a procura inconstante de fazer o diferente e também de ser capaz de fazer várias coisas de uma só vez para tentar ser algo diferente em meio a tantas coisas iguais, daí o surgimento do tão comentado jornalismo multimídia.

O jornalismo multimídia não é apenas o que é on-line, e sim aquele que possui diversas funções e características em uma mesma matéria. O jornalista que trabalha com isso é um profissional completo e totalmente diferenciado dos demais, mas que de agora em diante vai passar a ser cada vez mais comum e necessário dentro do mercado.

Esse jornalista multitarefeiro, como também é chamado, geralmente é alguém que precisa lidar com diferentes tipos de mídias e linguagens, que saiba outros idiomas e que entenda de tecnologia, foto, diagramação e até mesmo que saiba utilizar recursos da web e photoshops, além de ser rápido. Isso não quer dizer que ele faça mil coisas ao mesmo tempo, e sim que possui vários conhecimentos.

O fato de hoje em dia qualquer um poder tirar fotos e postar determinada notícia na internet, já praticamente “obriga” uma inovação ao jornalista que muitas vezes acredita que se um profissional fizer tudo, outros irão perder o trabalho e que na verdade cada um deve ter apenas uma função. Mas, o jornalista multimídia do jornal Gazeta Online, Wing Costa, acredita que sempre haverá espaço para fotógrafos e para todos, e que são olhares diferentes, e isso é necessário.

Importância

Segundo o jornalista multimídia Wing, o mais importante de ser um jornalista multimídia é o fato de não perder a oportunidade. “Se tudo der errado, o jornalista multimídia vai saber fazer e se virar. Sem contar que ele sabe pedir e explicar exatamente aquilo que está querendo. Por exemplo, se tiver que pedir uma foto ele vai saber construir com o fotógrafo a imagem que realmente precisa, porque vai ser possível trocar uma informação que ambos consigam entender”, explica o jornalista.

Ele também destaca que o jornalista que não é multimídia acaba se limitando e aceitando que outros façam aquilo que ele poderia fazer do jeito dele. “Hoje estamos vivendo uma época em que tudo é muito rápido, então você não pode ficar dependendo de ninguém. Imagina na hora de ser contratado nos dias de hoje? A redação não vai contratar alguém que faça só texto, e sim alguém que faça tudo que várias pessoas poderiam fazer e ainda por cima bem. O mercado está cobrando muito, o repórter tem que saber chegar e ser versátil, e por isso é necessário saber muito mais do que os jornalistas mais velhos precisavam saber.. A pergunta não é mais “por que fazer isso?” e sim “por que não fazer isso?”, ainda destaca Wing.

Entrevista com Wing Costa, jornalista multimídia do site Gazeta Online:

Indo além

Além do jornalista multimídia, outro profissional da mesma área que está sendo cada vez mais buscado e valorizado pelas redações é o jornalista de dados. Esse jornalista vai até onde outras pessoas não costumam ir, e não dá dados superficiais e sim profundos, que demandam tempo. É a partir dele que vários fatores podem ser descobertos e revelados para a sociedade, mas o que o Wing Costa destaca que tudo vai depender sempre do olhar. Esse comunicador ele analisa o cenário amplo, e sai da mesmice dos dados que já estamos acostumados para tentar ir em busca do inesperado.

Jornalismo investigativo

Segundo o Wing Costa, o jornalismo investigativo vai muito mais além do que saber exercer várias funções, do que ser um jornalista multimídia. Isso ajuda bastante na hora de produzir e elaborar a matéria, mas o que importa mesmo é a questão do “brio”. Sem esse fator, o jornalista acredita que nada importa, nem mesmo a quantidade de fontes, porque é a partir disso que muitas coisas que talvez estejam óbvias poderão ser descobertas.

Para uma boa matéria investigativa são necessários além de materiais, fontes. “Você vai acabar perdendo amizades, e perdendo contatos com assessores que antes você falava todos os dias e conseguia informações porque as coisas que a sociedade realmente precisa saber nem sempre serão autorizadas a serem divulgadas e nem sempre serão apoiadas. Mas se está ali, você está vendo e você tem prova, é seu dever divulgar isso para o bem da sociedade e acredito que valha a pena sim cortar laços para isso, por que se não para que serviria o jornalista?”, reflete Wing.

A mídia independente invade o jornalismo padrão

Jornalistas do Mídia Ninja buscam levar informações por um outro ponto de vista

Sem carro ou equipe de reportagem, das ruas para a internet, totalmente ao vivo e quase sempre sem cortes: os jornalistas do Mídia Ninja fazem um jornalismo investigativo apenas com celulares que possuem conexão 3G. Os integrantes fogem do padrão jornalístico e trazem a proposta mais independente, tirando o monopólio de uma única verdade e também de uma única história.

A equipe quer estar aonde os grandes veículos de comunicação não estão, e escutar pessoas comuns mas que tem muito a dizer. “ A gente consegue ver que existem vários outros lados e várias outras formas de contar o mesmo fato, e que o jornalismo mais antigo contava apenas de uma maneira, e de certa forma acabava prejudicando muita gente. Então nós viemos para mostrar muito mais verdades do que o jornalismo padrão tem mostrado, de uma forma totalmente independente” , explica Felipe, jornalista do Mídia Ninja.

O coletivo surgiu em 2012, mas ganhou força em 2013 por conta da explosão da utilização da internet e também das manifestações que ocorreram no mesmo ano. Nos protestos, o grupo passou a ganhar vários seguidores ao retratar fatos que não foram contados nas grandes emissoras, e também a comprovar o quanto esses mesmos veículos mentiram para a sociedade e colocaram por debaixo do tapete muitas situações. Como eles fizeram isso? Caminhando lado a lado de quem foi pra rua, participando de tudo e escutando a todos e principalmente buscando sempre enxergar a situação com um outro olhar.

Jornalismo padrão x Jornalismo independente

Os integrantes do Mídia Ninja acreditam que o futuro agora será do jornalismo independente, justamente pelo fato de existir maior participação dos jornalistas dessa mídia nos eventos, e também maior apuração e envolvimento, sem contar que não há padrões a serem seguidos além da ética jornalística. Segundo Felipe, jornalista do coletivo, o “velho jornalismo” muitas vezes acaba gerando dúvidas sobre o que é certo e errado.

O Mídia Ninja quer trazer a maior quantidade possível de informações sobre um mesmo fato. “Eu acredito que quanto mais informações, melhor. Então, não só o Mídia Ninja, mas diversas outras mídias independentes vieram bater de frente com muitas mídias grandes e antigas que são cheia de dinheiro e patrocinadores. E porque eu acho que as pessoas veem que a informação é verdadeira, tanto é que a mídia independente tem quebrado muitas das narrativas da velha mídia. Eles publicam de uma forma e no outro dia tem uma mídia desmentindo, e não só desmentindo a outra mídia, mas também fatos de rua como por exemplo nas manifestações que uma vez disseram que pessoas agrediram os policiais, sendo que foram eles. Então tem toda uma importância porque ela está trazendo de fato a verdade que infelizmente já não existe mais em vários grandes veículos de comunicação”.


Conteúdo

Para a produção de conteúdo e elaboração de pautas é fundamental a participação dos leitores, pois muitas vezes uma reportagem surge de um material enviado ou esse material é utilizado para virar uma notícia ou reportagem, e isso também é essencial no aspecto financeiro.

O jornalista Felipe afirma que eles já colaboraram com alguns crowdfundings, mas que no Mídia Ninja, a princípio eles não possuem. “O fato de sonhar e pensar em fazer isso, nós temos com certeza. Pensamos em fazer uma coisa maior e melhor, mas a gente acha que o ritmo que está crescendo tá legal. Isso tudo faz a gente crescer no sentido de expandir as informações, compartilhando para o maior número de pessoas”, conta.

Funções

No Mídia Ninja não existe uma função definida, todo mundo faz tudo, e é por isso que às vezes eles ficam tão ocupados. Cada um é o repórter, fotógrafo, editor, gerente de mídias e dados, produtor e etc. Não existe um padrão de postagem e nem horário, tudo vai depender do fato e do que eles receberem ou estiverem realizando.

Sem contar que cada um tem a liberdade de publicar lá quando chega uma notícia nova e interessante, sem ter que consultar o outro. “Às vezes acontece uma edição, uma conversa e etc. Nossa página é totalmente flexível: publica e se tiver que editar, edita, e se tiver que excluir, exclui. Nós não temos uma função definida, somos todos iguais”, explica Felipe.