Love Wins

Minha mãe é negra.

Aliás, eu também seria, se não fosse essa maravilhosa confusão no Brasil, onde você pode ser branco, negro, índio, pardo, mameluco, mulato, cafuso, etc e etc. Eu me contentaria em só ter branco e negro (e ia ser difícil achar um branco no Brasil, só dizendo). Mas isso não tem importância.

Como eu já disse, minha mãe é negra. E obviamente sofreu muito preconceito com isso. Além de negra é mãe solteira e sofreu mais preconceito ainda. “Como pode não ter um marido?” “Como assim, tem filhos sem estar casada? Sem estar com ninguém?”. Sim, pra muita gente minha mãe era puta. Aliás, até aborto aconselharam ela a fazer.

E porque estou dizendo isso? Bem, recentemente a Suprema Corte Americana decidiu pelo “casamento igualitário” (que já existe no Brasil desde 2013). Resumindo, todos tem direitos iguais, todos podem se casar (e divorciar, se for o caso), ter direito à herança, compartilhar plano de saúde, etc e tal. Muita gente comemorou por lá e por aqui. E muita gente ficou puta também.

Aí eu volto lá na história da minha mãe. Passei a vida inteira vendo a minha mãe sofrer simplesmente pela cor da pele dela, uma coisa que ela não escolheu ter, ela já nasceu assim. Assim como pessoas sofrem preconceito por serem nordestinas, ou pobres, ou por serem mulheres. E é assim com os gays também.

Por ter visto a luta da minha mãe, não tem porque eu não ser solidário à causa LGBT (assim como sou solidário à causa das outras minorias). Basicamente eles sofrem por serem algo que eles não escolheram ser. E assim como ser negro, pobre, mulher ou nordestino, ser gay não influencia em nada a vida de ninguém.

A sociedade evolui. Alguns anos atrás as pessoas achavam um absurdo brancos casarem com negros, isso felizmente já ficou pra trás. Hoje já tem bastante gente hétero (assim como eu), que vê com bons olhos (ou simplesmente não se importa) com as vitórias da galera LGBT. Amanhã pode ser ainda melhor.

Porque no final, a gente torce para que o amor sempre vença.

‪#‎LoveWins‬.

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