Análise de matéria sobre racismo no Rio

Equipe: Daniele Viana, Glecem Gaia, Helciana Lobato, Kelly Abreu, Roniery Bentes.

Discursos e Enunciados — Glecem Gaia

Na matéria é possível ver vários tipos de enunciados presentes. Eles juntos criam um sentido de discurso. Esta matéria jornalística tem, por si só, um grande referencial histórico e social no Brasil. O texto discorre sobre como aconteceu a injúria racial até as consequências do ato.

O diálogo nesse discurso é verbal, há, inclusive, a presença de um vídeo que enriquece a estrutura do texto deixando os enunciados ainda mais significativos.

Aspectos Ideológicos da Peça — Glecem Gaia.

Para compreender o caso de Sulamita Mermier, uma mulher negra e agente de viagens que foi agredida verbalmente por outra mulher branca e pedagoga chamada Sonia Rebello em uma praia no Rio é necessário analisar as raízes ideológicas que cercam esse acontecimento.

Na visão mundial, o racismo nasceu quando as potências europeias estavam em busca de novas terras, novos bens materiais. Os negros eram alvos fáceis, pessoas pobres e sem nenhum atributo material. Então bate-se de frente com a primeira função da ideologia de Ricoeur: a geral, onde se cria uma ideia. A ideia era de que os negros não tinham alma e, “obviamente”, o trabalho escravo iria dignifica-los e ensiná-los o caminho correto. Aquilo virou uma verdade para todos os grandes exploradores europeus brancos e a partir desse ponto as outras duas funções de Ricoeur são concretizadas, a dominação e a deformação.

Falando ainda mais categoricamente do Racismo como uma das piores criações ideológicas podemos citá-lo nos Aparelhos de Repressão Ideológico de Althusser. Dentre dele está a religião, família, escola, etc. Sabe-se que o não existe sub-raça, não há nada cientificamente provado sobre a inferioridade de Raças, porém, teologicamente falando há uma história muito conhecida de que Noé amaldiçoara seu único filho negro a ser perseguido. A religião fez o seu papel então de dizer o que há de errado com os negros. Um pensamento ideológico embasado, supostamente, pela bíblia.

Isto não seria mais conveniente para aqueles que queriam usar os negros como escravos, como mão-de-obra gratuita. Criar a ideia em todos que há sim uma diferença entre as raças, que as diferenças de crenças — já que os negros não eram cristãos e nem conheciam os fundamentos da religião — amenizaria o fato de estarem escravizando, matando, explorando, estuprando negros por uma força maior: a força que até hoje nos move, o dinheiro, o ouro, as terras.

Era o que Karl Marx dizia sobre a Ideologia: a classe dominante é quem injeta as suas ideias na classe inferior. Eram as ideias dos grandes senhores que interessavam e isso cegava de as pessoas que estavam abaixo deles. Se para a classe dominante estava certo escravizar, então, era certo escravizar. Claro que as classes inferiores não viam o interesse atrás dessa prática desumana.

Poder-se-ia enumerar quantos pontos ideológicos foram criados que visavam apenas o benefício do lucro de grandes barões europeus brancos e seus próprios interesses. Nisso podemos também ligar o racismo aos Aparelhos de Repressores do Estado também de Althusser. Naquele século de desbravamentos territoriais, etc., quem estava à frente de tudo isso também era o governo, os políticos, essas pessoas todas tinham seus próprios interesses. Se havia lucro, terras e ouro, estava tudo certo.

O Brasil foi construído nos pilares escravagistas, quando era apenas uma colônia de Portugal, vários índios foram mortos e milhares de homens, mulheres e crianças negras foram trazidos em navios negreiros para serem escravos no Brasil. Esse evento que milhares de brasileiros ouvem todos os dias nas aulas de História do Brasil: Havia senzalas com condições desumanas, chibatadas para qualquer erro cometido, recompensa por negros fugitivos.

Sabe-se também que a história da escravidão se acabou em 13 de maio de 1888 quando a Rainha Isabel assinou a Lei Aurea. Brasil foi um dos últimos países a abandonar a escravidão. Abandonar também seria o que fizeram com os negros depois de lhes dar a liberdade. Essas pessoas foram jogadas a margem da sociedade, sem oportunidades, sem fundo social ou leis para protege-los de imediato. Nenhum plano foi criado e os negros foram tratados como escória social. A ideologia de negro ser uma sub-raça, inferior, sujo, vindo de periferias estava de vento e poupa.

É importante quando se estuda a ideologia analisar o seu contexto, a historicidade. Ao esmiuçar a ideologia do Racismo é quase possível ver o quanto uma ideia disseminada por interesses errados pode prejudicar gerações inteiras durantes séculos a fio. Quando olhamos através da visão de Karl Marx o racismo podemos ver tudo o que há de errado com a ideologia da classe dominante.

Tendo em vista todos esses tópicos o caso de Sulamita Mermier se torna mais uma das dezenas de histórias de racismo que acontecem todos os dias por causa de ideologias enraizadas, que já passaram de pais para filhos.

Na matéria analisada, Sulamita foi submetida a ouvir coisas como “Você é mulata. Nasça branca da próxima vez”. Analisemos dessa forma: Mulata era a forma depreciativa que os negros eram chamados na época escravocrata, interessante saber que essa palavra ainda é direcionada para os negros. Portanto, é uma ofensa que veio de muito tempo atrás. Claro que há a noção de enunciados que mudam de sentido em cada discurso, segundo Foucault, mas nas palavras de Sonia Rebello, a mulher branca em questão, a certeza é de que foi com sentido de insulto.

A segunda frase, “nasça branca da próxima vez” fala por si só: Não quer ser vítima do racismo ideológico que está presente desde sempre, nasça branca. Na visão quadrada e limitada da pedagoga Sonia Rebello, isso resolveria o problema de um mundo racista.

É extremamente necessário entender que uma ideologia, tal como a do Racismo, não vai conseguir ser destrinchada tão facilmente. Não é apenas a questão racial, tampouco a questão de educação, é algo que está social e politicamente enganchado no convívio do ser humano moderno. Um exemplo disso é a taxa dos presos no Brasil: 60% de toda a população carcerária é negra. Eis que surge a pergunta: Todos negros são criminosos ou todo branco tem a ideia que os negros são criminosos? O erro mora no pensamento e nas ideias impostas pela sociedade.

A ideologia pode ser uma grande aliada da sociedade, assim como pode ser uma grande inimiga.

Gênero Discursivo — Kelly Abreu e Roniery Bentes

Gênero informativo e secundário, por se tratar de uma reportagem abordando um fato que aconteceu. Com palavras simples e bem objetivas. De forma direta e concisa relatando os fatos.

Estilo de linguagem acessível e com um sentido único, sem formalidades, de fácil entendimento para todos. Polêmico, por se tratar de preconceito racial, tema bastante relevante no mundo. Com ênfase no estilo informativo.

Função: transmitir as pessoas informações sobre o assunto abordado, por ser um tema polêmico, verifica-se a opinião das pessoas tanto a favor como contra o ocorrido, levando em consideração também as diversas formas de opinião que o assunto causa.

Aspectos gramaticais/léxico: o texto utiliza uma linguagem clara e coesa, de entendimento claro dos leitores, matéria de debate social, pois, envolve crime como injuria racial, preconceito, com linguagem verbal e não verbal, onde acompanhamos no vídeo além da forma verbal a não verbal, através de gestos.

Intertextualidade e Interdiscursividade — Daniele Viana e Helciana Lobato

Na matéria referente a intertextualidade podemos afirmar que a pessoa que grava o vídeo quer mostrar a prepotência de uma senhora que xinga a raça negra, achando-se superior por ser branco. Isso está sendo comum, e vem gerando discussões e até agressões há muitos anos, desde a era em que os negros eram escravos no Brasil, colocando em questão que uma raça é superior à outra. Ainda hoje vemos tal situação exposta em diversas situações sempre expostas em sua maioria nas redes sociais.

Utilizados para a captação de elementos que apontam a intertextualidade: o racismo ocorrido na praia. Os xingamentos deferidos contra a vítima.

Quanto a Interdiscursividade, podemos dizer que o sentido matéria é o racismo que ainda impera. Vejamos que, em pleno século 21, com tanta informação, pessoas com ensino superior cometem o erro de julgar uma pessoa pela cor. A exposição de tais situações em todas as mídias tentam de alguma forma que racismo ainda existe, e em todas classes, mesmo 118 anos após a assinatura dos direitos de liberdade dos negros.

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