ANÁLISE DISCURSIVA DA CAPA DA REVISTA PIAUÍ (EDIÇÃO SETEMBRO)

Autores: Beatriz Mattos, Eron de Sá, Keize Pedrosa e Mayara Amaral

http://piaui.folha.uol.com.br/edicao/120/

1. DISCURSO E ENUNCIADOS

CENÁRIO: A capa de revista Piauí, edição de número 120 do mês de setembro traz um cenário “feliz” e até “americanizado” com direito a jardim e casa branca muito comum nos jornais e revistas da década de 50.

PERSONAGENS: personagens partem de uma família tradicional correlacionando com a atualidade da política brasileira tendo como exemplo de pai e trabalhador o presidente Temer , sua esposa Marcela Temer a dona de casa e nos fazendo relembrar do “a bela, recatada e do lar”, a criança que é o filho do casal Michel Temer Júnior feliz com a chegada do pai e em sua companhia o cachorro.

MATÉRIAS : do lado direito estão as matérias na primeira delas está a frase de efeito “A DIREITA QUE ATIRA” até com uma certa ênfase que para quem ver logo de cara relaciona a imagem de capa com o partido do atual presidente que é de direita. No entanto em seu subtítulo já direciona a outra personalidade “Consuelo Dieguez faz o perfil do deputado Jair Bolsonaro”. Abaixo há outras matérias que não estão diretamente ligadas ao momento político, porém tem a sua devida importância. Por mais que seja com temas densos comparado ao momento político estampado na capa se torna até leve como : O fiasco da pílula remetendo a cura do câncer, Uma guerra na África (que se é pouco visto na mídia), a genética da loucura ( trazendo esse peso sócio-familiar). Logo, na ponta esquerda da revista o “E mais” começamos a relacionar a imagem –manchete que traz pontos como Fora Temer, uma modalidade olímpica ( relacionando as vaias durante a abertura do evento) por exemplo.

Diante de cada elemento é possível perceber que o discurso construído a partir da imagem-manchete de capa tende a uma “pseudoimparcialidade” que utiliza justamente o poder da imagem não colocando explicitamente o título ou frase de efeito para complementar como em muitas outras revistas dando essa carga interpretativa e até tendenciosa para o leitor.

2. ASPECTOS IDEOLÓGICOS

Althusser é o que mais cabe diante dessa análise do discurso da capa de revista Piauí, pois traz o conceito que a classe dominante usa mecanismos para manter sua dominação e através dos aparelhos de repressão ideológica como os valores da família e a forma política elencados na capa que gera vivências simbólicas que se expressam no cotidiano, como a imagem –manchete que traz uma família tradicional feliz correlacionando com o atual cenário político o pai exemplar e trabalhador (presidente Michel Temer), sua esposa como a bela, recatada e do lar, juntamente com seu filho, que de maneira consciente ou não manipula a visão de uma realidade objetiva como por exemplo a existência de outros modelos de família, sujeitando aos leitores às ideias que a imagem-manchete expressa.

Complementando através da tese que a ideologia interpela como sujeitos temos os rituais materiais da vida cotidiana nesse caso a revista que acaba operando a transformação (ideológica) dos sujeitos através das suas matérias correlacionadas com a realidade usando de forma até que satírica da imagem-manchete para que o leitor tenha essa indagação reflexiva. A partir do momento em que o sujeito se reconhece e se insere ao ler /ver a capa da revista, a si mesmo as suas ações ( começando a pensar o que aquilo reflete a imagem) em práticas reguladas pelo aparelho ideológico ( política) se é embasada a ideologia que a revista quer dá ao leitor. Nesse caso que a direita política é manipuladora.

3. GÊNERO DISCURSIVO

Secundário: comunicação cultural mais complexa que está no cotidiano.

Em sua imagem de capa traz um estilo livre por se tratar de um desenho/pintura com aspectos da década de 50, contudo trazendo traços atuais como os personagens sendo substituídos pelo presidente Temer e sua família dando essa função de liberdade mais interpretativa do que informativa. Já nos aspectos gramaticais temos o exemplo, ao lado direito da revista a frase de efeito “ A DIREITA QUE ATIRA” e ao lado esquerdo o título Fora Temer, uma modalidade olímpica moldando uma linguagem formal, mais trabalhada, porém compreensível a todos ainda mais quando relacionam a momentos recentes levando ao leitor fazer uma ligação do que ele ver em outros meios com os respectivos títulos das matérias da revista.

4. INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCURSIVIDADE.

Temos como intertextualidade a frase “ A DIREITA QUE ATIRA” que faz menção ao subtítulo que trata do perfil do deputado Jair Bolsonaro que é uma figura bastante conhecida e polêmica por levantar a bandeira do ultraconservadorismo. Podemos acrescentar nesse sentido também as matérias : “FORA TEMER, uma modalidade olímpica e o “ Um jogo de futebol da República Velha” reforçando essa dominância da direita política.

Na interdiscursividade o sentido que a primeira matéria traz ( A DIREITA QUE ATIRA) é a atual dominância do cenário político brasileiro que pode ser relacionada com a imagem do presidente Temer já que o mesmo é da direita política tentando transpassar juntamente com sua família que é aceitável e mais coerente no momento.

Outra matéria que dialoga também é o FORA TEMER, uma modalidade olímpica nos fazendo relembrar o vexame da abertura das Olimpíadas dando sentido de insatisfação do povo com o atual governo em vigor.