Chineses lutam pela preservação do seu último rio “livre”, com 2735 km
O Rio Nu, que em chinês significa “furioso”, é considerado um dos mais belos do mundo. Suas águas azul-turquesa correm desde o Tibete, passando pela província de Yunnan, até desaguar no mar de Andamán. Com extensão de mais 2735 quilômetros sem a existência de nenhuma represa, ele é o último “rio livre” da China.

Há dez anos, o gigante chinês protagoniza uma luta que opõe ambientalistas e ribeirinhos contra agências governamentais e empresas estatais de produção de energia. Com o compromisso internacional assumido pelo país de diminuir, até 2030, o uso de carvão na matiz energética, inúmeros projetos foram criados para erguer hidrelétricas no local.
Em 2003, o projeto lançado por um consórcio de empresas de eletricidade propôs 13 represas ao longo do rio. Com a pressão internacional, o número foi reduzido para quatro represas no Vale do Nu e uma quinta no Tibete.

Os ambientalistas que se opõem às hidrelétricas no Rio Nu defendem a preservação dos ecossistemas locais e a subsistência das dezenas de milhares de famílias que ali vivem. Os planos de construção ameaçam destruir locais de desova para peixes e comprometem a sobrevivência de agricultores e pescadores ribeirinhos.
Com o impasse estabelecido, as obras estão paradas desde março, mas é grande o receio de que sejam retomadas é grande. Embora ainda não exista uma ordem definitiva sobre o futuro do rio, uma nova versão sobre os planos foi comunicada à imprensa chinesa: em vez das represas, um parque nacional será erguido ao longo do rio.
O jornalista Edward Wong, do New York Times, esteve recentemente na região e contou que a expectativa da população sobre o fim do projeto das hidrelétricas é enorme. “Os moradores com quem falei, aplaudiram estavam felizes com ideia”, contou Wong.
A mesma convicção não têm, segundo o jornalista, os voluntários do grupo de ambientalistas Green Earth Volunteers, um dos grupos engajados na polêmica. Para eles, as empresas podem estar desistindo de construir grandes barragens para criar usinas hidrelétricas menores usando a água de afluentes. O destino do gigante segue desconhecido, mas, por enquanto, o Nu parece descansar por mais alguns anos.