Na França, produtos com vida útil curta podem render cadeia aos fabricantes

Pode ser a máquina de lavar roupas ou o teclado do computador, mas a cena é a mesma: com pouco tempo de uso, o produto quebrou e não tem mais conserto. Ou o conserto vai sair mais caro que comprar um novo. Quem ainda não passou por isso?

Estratégia adotada por empresas fabricantes para diminuir o tempo de vida útil dos seus produtos a fim de aumentar o volume das vendas, a obsolescência programada é hoje uma dor de cabeça para todo o mundo. Além disso, contribui diretamente para a alta produção de lixo eletrônico no planeta.

Foto: Chico Castro

De olho na regulamentação, alguns projetos têm surgido para pressionar a indústria e evitar a quebra programada dos eletrônicos. A França, por exemplo, aprovou desde o ano passado uma lei que pune empresários com multas de cerca de R$ 1,1 milhão e até dois anos de prisão nos casos de produtos com curta vida útil.

Além de fechar o cerco contra a tentativa das empresas de diminuir calculadamente o tempo de duração dos itens, o modelo da legislação francesa é também uma alternativa de reduzir a poluição naquele país.

No Brasil, uma proposta semelhante foi lançada em 2013 no Congresso Nacional, em Brasília, mas não vingou. O projeto de lei 5367, atualmente arquivado, propunha que os fabricantes fossem obrigados a dar informações sobre a duração prevista para os seus produtos, além de indicar aos consumidores alternativas de consertos e instruções de bom uso.

Foto: Chico Castro

MINA DE OURO

O lixo eletrônico será transformado em “mina” de ouro, prata e bronze usados na confecção das medalhas das Olimpíadas de 2020, em Tóquio. Os organizadores do evento já declararam que pretendem reciclar os materiais presentes em milhões de smartphones e outros pequenos aparelhos eletrônicos descartados no país. Estima-se que o Japão descarta

650 mil toneladas de aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos anualmente. O objetivo é utilizar pelo menos 100 mil toneladas desses resíduos na fabricação das medalhas olímpicas dos Jogos de 2020.

Um mapa digital criado pela ONU em 2012 revelou a quantidade de lixo eletrônico produzido no mundo. Os números revelam o quanto esses produtos têm se tornado cada vez mais descartáveis: só naquele ano foram 49 milhões de toneladas de resíduos gerados e, até 2017, vamos chegar à marca de 65 milhões de toneladas. De acordo com os dados, o Brasil é um dos líderes de produção desse tipo de resíduo na América Latina, gerando 1,4 milhão de toneladas anualmente.