Regulamentação deixa energia solar mais cara nos EUA

Enquanto no Brasil, de acordo com Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, o investimento em painéis residenciais de energia solar se paga em um período de 6 a 12 anos, nos Estados Unidos, o investimento está correndo o risco de jamais se pagar. Por lá, a exigência por serviços cada vez mais especializados nas instalações de captação levou as agências reguladoras de energia a encarecer a conta de eletricidade de quem usa painéis fotovoltaicos, diminuindo o incentivo ao uso da energia renovável.

Foto: Reprodução

Para entender a importância da decisão, é preciso saber como funciona a captação e cessão desse tipo de energia. Tanto no Brasil quanto nos EUA, o sistema de energia solar opera da seguinte forma: captados por painéis fotovoltaicos, fótons da luz são convertidos em energia de corrente contínua. Em seguida, um aparelho conversor transforma essa corrente contínua em corrente alternada, própria para o uso doméstico.

Quando nem toda a eletricidade gerada é consumida, o que resta é lançado de volta na rede elétrica coletiva e transformado em créditos. Nos períodos em que a luz solar é menos frequente (como à noite ou em certas épocas do ano), os consumidores ganham a possibilidade de utilizar a energia da rede elétrica tradicional permutando-a por esses créditos.

Com a mudança recente na regulamentação norte-americana, as empresas passaram a cobrar mais pela energia puxada da rede tradicional, achatando o benefício. Ao mesmo tempo, desvalorizaram os créditos gerados pelo excedente de energia de origem solar que os consumidores devolvem à rede.

Ainda que, nos EUA, esse tipo de energia represente menos de 0,5% do total gerado no país, a busca crescente pela utilização da energia solar fez com que as reguladoras experimentassem uma perda financeira. Isso porque as taxas adotadas eram projetadas para uma rede com infraestrutura similar para todos os usuários — o que a exigência por serviços especializados deixa defasado.

A transição das taxas de crédito e de captação de energia elétrica nos EUA tem sido criticada por especialistas. A novidade deixa o mundo em alerta, já que as práticas norte-americanas costumam servir de referência para o desenvolvimento de mecanismos econômicos globais.

BRASIL

No Brasil, um significativo aumento no volume de instalações de painéis fotovoltaicos foi registrado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Segundo o órgão, em 2015, o país chegou à marca de 1.125 instalações.

Ainda assim, é provável que a energia solar ainda demore a se popularizar nas residências brasileiras — principalmente devido ao custo de instalação dos equipamentos, que é de pelo menos R$ 15 mil. Porém, caso a popularização aconteça por aqui, é possível que sejam adotadas medidas similares às norte-americanas, e o apelo financeiro da energia solar seja reduzido no futuro.

Um estudo conduzido pela consultoria PSR comprovou que já é possível ter retorno financeiro com painéis solares em 23 estados brasileiros (Amazonas, Roraima e Amapá são os estados onde, até o momento, não compensa adotar a energia solar). Mas o incentivo à adoção desse tipo de energia ainda é pequeno: há poucas linhas de financiamento que permitam ao consumidor doméstico implantar a energia solar em casa. A criação dessas linhas fez crescer o uso da energia renovável nos EUA que, atualmente, parecem estar regredindo na questão.