Hoje todas as indiretas do mundo são pra mim

Porque ninguém me conhece. Nem quer.

Então, me abandonou lendo Baudelaire, eu tive que partir sozinha. Faz dias e eu nem vi a estrada. E não tem mais ninguém em volta. Ei ei, não me culpem. Eu nem queria estar aqui, meu senhor, pra começo de conversa! Mas quanto mais eu torço pra ter meu encéfalo colado na roda de qualquer veículo dessa merda de cidade, mais parece que as coisas me mudam. Eu já desisti tantas vezes dentro da minha cabeça, mas meus pés não param de andar. Endurecer não é bom. Nem acordar no meio da noite gritando, chorando e achar que isso é normal. Mas sabe o que é? Isso é culpa minha mesma. Eu realmente acredito que esses pensamentos tortos feito um filme do Jodorowsky fazem algum sentido pra quem lê. Vai passar despercebido. Já cai no esquecimento a alguns meses. E até eu me esqueci um pouco também. É como um sufocamento, como uma bala plantada no meio dos peitos. Como sofrer de catalepsia e acordar, depois de três dias, sete palmos abaixo da terra. Deve ser louco ser estável. Que se foda. Quem se importa com esse tanto de baboseira, né? Isso é só mais um daqueles rolês escrotos, cheios de desgraçamento, que, daqui a um ano, vão voltar nas minhas memorias e eu vou apagar. Porque, provavelmente, estarei curtindo algo pior.
É que gente da minha laia não tem sorte mesmo, mas mesmo assim a gente insiste em acordar viva no dia seguinte. Não entendo mais nada, viu.

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