III | Caminhos

— O teu cheiro é bom.

— Obrigado. O teu também.

— Você não tira o sorriso do rosto nunca, não é mesmo?

— Nunca prestei atenção nisso.

Estamos sentados na cama, um de frente para o outro. A beleza do olhar silencioso, do passear pelo outro, segue pelos minutos que se sucedem ao mágico momento do permitir-se.

Ela rompe o silêncio ao arrastar o lençol. Respira fundo e fala com a leveza que lhe é característica:

— Somos tão parecidos e tão impossíveis.

— Por que impossíveis?

— Eu não preciso responder essa pergunta, pois você sabe perfeitamente o motivo.

Os olhos se desencontram. Enquanto um acaba na parede o outro atravessa a janela e se perde no horizonte. O silêncio que antes era instigador agora angustia, sufoca, causa dor.

— Acho que também terei que tomar essa iniciativa, não é mesmo?

— Não estou entendendo.

— Eu queria experimentar esse momento e você também, mas como falei, somos impossíveis. Foi ótimo estar com você, mas precisamos seguir os nossos caminhos.