O esconderijo de referências dos Irmãos Duffer

Quando descobri que esse filme era dos Irmãos Duffer, os (agora já famosos) criadores de Stranger Things, me veio ha hora à mente a frase tornada célebre pelo Chapolim Colorado: “Desconfiei desde o princípio”…

A forma inteligente de contar uma nova história utilizando-se de um enredo que outros já cansaram de usar, mas mudando uma coisinha aqui e outra ali, jogando e misturando influências de outras obras do mesmo estilo até que o resultado saia com uma cara própria é algo que os Duffers já mostraram que sabem fazer com que funcione bem. Não à toa o sucesso que fizeram com a série da Netflix.

A diferença principal entre o trabalho deles neste filme e o na série é que o tema abordado não é algo que traga tanto saudosismo ou memórias afetivas como os anos 80, como ocorreu em Stranger Things. No caso de Hidden, o tema habita o universo do pós-apocalíptico, dos filmes de isolamentos e quarentenas, de epidemias globais, de zumbis e catástrofes afins. Pequenas referências a vários grandes filmes dos estilos citados, desde Extermínio (2002) até Eu Sou a Lenda (2007), passando por pitadas de Guerra dos Mundos (2005) e A Estrada (2009). A temática muda com relação à famosa série, mas a capacidade de fazer pequenos agrados em forma de referências escondidas para aos fãs do estilo que eles se propõem a representar no filme permanece igual. Uma ou outra homenagem a clássicos do estilo são perceptíveis. A cena dos veados correndo na saída do abrigo (curta e discreta, mas é 100% Eu sou a lenda), para citar apenas um exemplo.

E como motivação principal da trama, o mesmo amor familiar entre pais (bem interpretados pelos corretos Alexander Skarsgård e Andrea Riseborough) e filhos. Aquele amor tão comum e próximo, aquele mesmo que torna as pessoas capazes de tudo para proteger e salvar seus entes queridos. Acaba sendo uma boa cobertura para um recheio que já estava bem preparado. A cereja do bolo está na competência (também já demonstrada em Stranger Things) da equipe de produção em escolher de maneira competente os talentos mirins. A menina Emily Alyn Lind (uma promissora atriz mirim com mais filmes de destaque no currículo que muita “marmanja” por aí) faz um trabalho muito bom. Sua Zoe é do tipo de criança que consegue te atingir, fazer você se assustar junto com ela, e sentir pena dos seus choros sofridos. A Zoe deste filme está equiparada à Eleven de Stranger Things em matéria de desempenho.

Recomendo o filme pra quem já gosta do estilo dos caras na direção… vale a pena. Só não vale para quem não gosta ou dos Irmãos Duffer ou do estilo de filme pós-apocalíptico em geral.