365 dias de Natal — Tatá Vianna

Querido leitor: para você, qual o verdadeiro sentido do Natal?

Para mim, o Natal simboliza a data onde Deus expressou o seu amor à humanidade, fazendo surgir uma nova esperança, uma nova vida para todos nós. Acredito que o Natal é uma data para renovarmos nossa fé, nossos sonhos e nossas esperanças.

Mas por que esperarmos o Natal para fazermos esses votos de renovação? Por que não fazemos isso o ano inteiro?

Se pararmos para analisar, passamos o ano todo ocupados com o trabalho, alegamos falta de tempo e quase sempre nos esquecemos de coisas básicas, como dizer “Bom dia!”, “Muito obrigada(o)!”, “Boa noite!” às pessoas que fazem parte da nossa vida e do nosso dia a dia.

Palavras simples, mas que possuem um grande efeito! Quando nos aproximamos desta época do ano, todos nós ficamos mais cordiais, como num passe de mágica!

Talvez porque o comportamento coletivo nos estimule também a “desenferrujar” o nosso lado bom.

Talvez seja este o famoso “Espírito de Natal”.

Mas que “Espírito” é esse? E como fazemos para encontrá-lo?

Se olharmos pelo ponto de vista do mercado de consumo, que começa a sua campanha de estímulo e sedução bem antes de se iniciar o mês de Dezembro, o ato de comemorar o Natal se confunde com o desejo pelo consumo, em uma espécie de “Natal feliz é Natal com presente”. E assim, muitos se deixam levar por essa campanha e acabam exagerando, em uma tentativa de compensar o ano ruim que tiveram.

De modo geral, o roteiro é mais ou menos parecido para todos nós: vamos às compras, sim (!), mas também não deixamos de nos reunir com os nossos familiares. Comparecemos à ceia de Natal e trocamos presentes. E, desta forma, tudo acontece da mesma forma como nos anos anteriores,seguindo o mesmo ritual, as mesmas formalidades.

Mas será que isto basta para incorporarmos o “Espírito de Natal”?!

Por que é tão difícil manter o “Espírito de Natal” vivo em nossa rotina o ano inteiro?

Nesta época do ano, parece que tudo é preparado para viver o famoso “Espírito”, como uma espécie de “programação coletiva”, estimulada por alguns setores da sociedade e pelos meios de comunicação: as propagandas são mais leves e cheias de esperança, a programação temática de filmes, as ruas enfeitadas; as decorações de prédios, lojas, escritórios e das fachadas das casas — tudo muito bonito, sem sombra de dúvida! Mas aonde termina o charme dos enfeites e se inicia o real sentido por trás de tudo?

Na minha percepção, esse fenômeno funciona tal como uma frequência de rádio. No período de Natal, mudamos a estação de rádio para a sintonia FM — podemos ouvir a música tocar com maior nitidez, sem ruídos, embora eles ainda existam. Entretanto, logo após a virada do ano, não resistimos e voltamos para a velha sintonia AM, com sua programação cheia de “chiados” e som abafado. A mídia e sociedade voltam ao padrão de sempre: voltamos a assistir e ouvir as mesmas notícias sobre corrupção e violência, a cordialidade entre as pessoas desaparece de uma hora para outra e os enfeites são retirados, deixando uma sensação de vazio — um vazio que talvez nunca tenha sido inteiramente preenchido.

Sinto que temos urgência em sintonizar na estação correta durante o ano todo — e por vontade própria — e não somente por alguns poucos dias do ano. Ainda mais quando levamos em consideração que essa sintonia muitas vezes é estimulada e artificial.

Sintonizar na estação correta significa encontrar tempo para rever amigos (e fazer novos), passar mais tempo com a nossa família, sermos gentis com as pessoas e nos doarmos aos outros dentro dos nossos limites. Significa encontrarmos tempo para praticarmos simples gestos de amor, carinho, atenção e termos consciência de que o senso de fraternidade deve estar entre nós o ano inteiro e não somente quando um comercial nos lembra desse fato.

Desejo sinceramente que você, neste Natal, vá muito mais além das festas e trocas de presentes.Que você possa refletir sobre a possibilidade de um novo modo de viver — inspirando-se nos ensinamentos do notável Mestre, cuja passagem pela Terra deu origem ao Natal. Que o verdadeiro “Espírito de Natal” brote do seu coração e não dos inúmeros estímulos externos que nos bombardeiam neste período do ano!

E aí eu te pergunto querido leitor: Está preparado para esse desafio de encontrar o seu “Espírito de Natal” em 2016?

Preparado para sintonizar na estação correta já a partir de janeiro? Ou melhor, a partir de agora, neste exato instante?!

Se tiver alguma dificuldade, basta fazer a seguinte reflexão: a vida é muito curta para ouvirmos uma boa música, com som cristalino e inteiramente livre de “chiados” apenas nos últimos dias do ano!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.