O Dia que foi só do pai.

E meu medo maior continua ser o espelho se quebrar.

Volta Redonda, 14 de agosto de 2016.

Essa é uma carta diferente, Diferente e inesperada. Creio que, em alguns anos, ler essas linhas podem elucidar muita coisa, trazer significado para dias que eu não estive, para gols que não pude comemorar, para abraços que faltaram.
 
 Pois eles vão faltar e, sem receio digo, não faltaram por escolha minha. 
 Cresci com a ausência de pai, sei como é a dor, o avô de verdade de vocês (de verdade pois vocês verão: sangue não importa) estava a mais de 2000Km de distância. Distância que doía muito mais porque não tinha essa tal de internet que costuma facilitar as coisas. 
Segue o baile. Escrevo estas linhas pontuando o quanto foi maravilhoso estar com vocês nesse dia dos pais, que foi só do pai. Fizemos aquilo que mais sabemos fazer: rimos, brincamos, andamos de skate, jogamos basquete, rimos mais…

Estar com vocês por algumas horas fazem e sempre fizeram todas as horas terem mais sentido, meus queridos filhos. 
Esses momentos nos regeneram, diminuem as dores que a vida nos impõe. 
Nossa família sofreu um mar de naufrágios e reviravoltas esse ano que culminaram em uma forte mudança: sua mãe optou ser feliz de um outro jeito. Não a julguemos ou a critiquemos, pelo contrário: estaremos nós sempre dispostos e agradecidos por cada gota de suor e lágrima que ela proporcionou por nós e, estejamos sempre dispostos a tornar os dias dessa nova vida dela ainda mais felizes.
Escrevo esta carta porque, quero que saibam: por melhor que sejam os momentos dessa nova vida, eu nunca os imaginei assim.
Sempre quis a nossa mesa cheia no almoço de domingo, sempre imaginei estarmos todos juntos no dia dos pais, das mães, no natal…
Mas a vida, sempre surpreende. Vocês irão se dar conta disso. A gente planeja com nossos olhos, rasos, superficiais.
Tentamos ser senhores do nosso destino. E não dá.
Existe um arquiteto cuidadoso e milimétrico no andar de cima que toma conta disso pra gente. E os planos dele sempre vão além dos nossos.

Então com dor lhes digo:

Haverão momentos que eu faltarei
Haverão abraços que eu não poderei lhes dar.
Haverão lágrimas que eu não irei secar.

Mas quero que saibam não por falta de esforço
 
E não faltará um só dia e uma gota de sangue em meu corpo,
um pulsar do meu coração que não seja por nós.

1,2,3. Gregórios.

Eu os amo.

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