A apropriação cultural é boa, e você já devia saber disso.

Fonte: Divulgação — Arezzo

Como usuário frequente dessa maravilhosa interwebs, sempre me deparo com gente xingando alguma atriz global ou um cantor qualquer por cometer “apropriação cultural”.

Depois de passar um tempo pesquisando o assunto mais a fundo, essa é a minha opinião: a apropriação cultural deveria ser estimulada, e não rechaçada como tem sido.

Por que? Simples. O maior argumento de quem reclama dos dreads alheios é que “o branco usando a aparência x não sofre preconceito. Pra vocês é bonitinho, mas as pessoas nos olham torto quando andamos assim”, certo?!

Fonte: Catraca Livre

Veja bem, quando estamos falando de uma relação de opressão (outro dia eu falo mais sobre isso), a melhor coisa que poderia acontecer é o opressor “se juntar” ao oprimido.

Imagine se Hitler tivesse se convertido ao judaísmo, quantas mortes teriam sido poupadas. Se Che Guevara fosse homossexual. Se Médici entrasse pro movimento hippie.

Numa situação como essas, a branquinha atriz global usar tranças e ser aceita só pode fazer com que a negra, ao usar tranças, gradualmente conquiste maior “aceitação” da sociedade.

Ao passo em que os “opressores” começam a adotar características similares às dos “oprimidos”, a sociedade passa a aceitar com maior facilidade tais características culturais.

O problema é que o ser humano não consegue resolver seus problemas de forma racional. Aqui no Brasil, uma guerra racial, de gênero e de classes tem sido há décadas incitada, e com o poder comunicacional que a internet nos dá está cada dia mais inflamada. Ao invés de pensar em como resolver questões da vida real, cada vez mais a problematização gera brigas e mais brigas sem fim.

Fonte: Meme Generator

Não existe diálogo calmo e controlado, porque afinal “é preciso entender a qual lugar social você pertence” — Isadora Machado, modelo e ativista do movimento negro.

Pessoal, a partir do momento em que o próprio “oprimido” usa um discurso que defende a segregação, podemos perceber que alguma coisa não está certa.

Uma coisa que deveria ser clara pra todo mundo é que não é porque eu sou branco que eu sou racista.

A partir do momento em que você rotula uma pessoa por suas características físicas ou culturais, o seu comportamento é tão preconceituoso quanto o que você imagina que ela tenha.

É importante compreender que os alemães não são nazistas, que nem todo coreano come cachorro e que nem todo corinthiano é bandido… Generalizar pessoas baseado nas suas aparências e hábitos é uma atitude deplorável.

Justamente por isso eu tenho usado cada vez menos o Facebook. É “macho escroto” e “sai fascisto” o tempo todo, então não dá pra ter UMA discussão séria.

Eu, homem branco heterossexual cisgênero capitalisto que apoia o falocentrismo heteronormativo simplesmente por existir, meio que não posso falar nada sem que todo mundo fique extremamente irritado.

Basicamente, na internet você precisa ter vivenciado um problema para poder discutir sobre ele. “Quando o oprimido fala, o opressor cala a boca”.

Fonte: Entre Anas

Pessoal… não é assim que o mundo funciona. Todo mundo tem que debater sobre tudo, falar e ouvir. Pense que se um homem tiver uma ideia genial pro movimento feminista conseguir mais espaço na política, por exemplo, as feministas não vão escutar.

Se eu, branco, tiver uma ideia muito boa e quiser dar pro movimento negro, eu não posso, porque “você não tem vivência pra falar sobre isso, cala a boquinha”.

Não tem essa não, amigxs. Se o assunto me interessa, debatê-lo-ei.

Quanto mais a gente ficar tentando separar os grupos, proibir isso ou aquilo, mais os problemas como racismo, machismo e homofobia ganharão força. Polarizar discussões gera fanatismo, e gente fanática age sem pensar.

Você já viu uma discussão entre eleitores do Bolsonaro e do Lula? Eles ficam se ofendendo, um mandando o outro crescer e estudar, e não sai UM argumento sólido, consistente.

Fonte: Corrupção Brasileira Memes

Da mesma maneira, as ditas minorias tem se organizado em frentes, coletivos e movimentos para, unidas, lutarem pelos seus direitos. Acontece que a menor minoria é o indivíduo. Não adianta lutar pelo grupo e esquecer dos diretos de cada um.

Uma luta pela coletividade não faz o menor sentido, porque hoje as pessoas que mandam no nosso país são majoritariamente “opressoras”. Assim, a única forma de atingir a verdadeira equidade na nossa sociedade é lutar por liberdades individuais.

Se você quiser usar o seu turbante, use. Se quer se casar com alguém do mesmo sexo, case-se. Se quer fumar a sua maconha, fume. Todo mundo deve ter liberdade pra fazer o que quiser com a própria vida, e a gente devia cobrar essa liberdade do Estado. Mas não tente ditar comportamentos para as outras pessoas.

Ao contrário do que muitos pensam, “o capitalismo opressor” não dita nada. A estrutura capitalista funciona pela lei de oferta e demanda. Se vocês pararem de ouvir axé cantado por brancos, ele some do mercado. Se não vende eles não produzem, é simples.

Se as coisas incomodam tanto a vocês, parem de consumir. Pare de alisar os seu cabelo e pintar ele de loiro. Mas não queira cobrar que a pessoa do seu lado pare também.

Enquanto vocês tentarem impor as suas vontades para as outras pessoas, não vamos caminhar em direção a um mundo melhor.

Como eu já disse, ser homem não me faz machista, ser branco não me faz racista e ser hétero não me faz homofóbico, mas a chatice de vocês tá me deixando cada vez mais enojado com esses movimentos.

Ou só vocês podem ter nojo dos outros?