Halt and Catch Fire

Os anos 80 são mais que bandinhas de Hard Rock, o blá-blá-blá da década perdida, ou mullets com ombreiras, senhores. Antes do tablet, do esperto-fone, dos notebooks e antes da sua mãe jogando Candy Crush havia uma velha e impetuosa senhora chamada IBM. E um bocado de gente tentando destroná-la, inclusos. Computadores eram outra coisa, naquele tempo em que pais incentivavam os filhos a treinar datilografia. Nada de memes, nada de internet, apenas caras numa garagem hackeando a velha senhora no modo hard, ligando os zeros nos uns, um zero e um um de cada vez. Nunca entendi como esse diabo funciona. Apenas uma faísca brotando no asfalto de letras verdes. Pois Halt and Catch Fire conta a história dessa geração levemente perturbada que transformou os computadores e, portanto, toda a nossa relação com o mundo. Há um espaço de trinta anos entre os zero-e-um e o império minimalista do design. Mais ou menos o mesmo período que levou a URSS para deixar de ser uma nação feudal e se tornar numa potência militar e econômica. Nada mal. Pode não ser um primor, pode não substituir Don Draper no escuro do seu coração, mas tem alguma coisinha ali. Pode confiar.