A crítica do ocidentalismo de Hannah Arendt e Michel Foucault na obra de Domenico Losurdo

Uma síntese comentada do quarto capítulo do livro “O Marxismo Ocidental: como nasceu, como morreu, como pode renascer”, publicado no Brasil pela editora Boitempo, em 2018.

Na sua última obra, publicada no Brasil poucos dias antes do seu falecimento, Domenico Losurdo apresenta um balanço histórico da capitulação ideológica de um segmento da tradição marxista ao filo-colonialismo e filo-imperialismo. Ao longo dos capítulos, o autor demonstra, através de pesquisa documental e com refinado embasamento histórico, o compromisso assumido, ainda que inconscientemente, pelos pensadores marxistas aderentes do revisionismo chauvinista, da teoria crítica, das análises orientalistas, dos eurocomunistas e, por fim, de autores amados pela esquerda acadêmica, como a filósofa liberal Hannah Arendt e o estruturalista Michel Foucault. Este ensaio será focado nas 34 páginas do livro dedicadas aos dois últimos.

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O rompimento do marxismo ocidental com a revolução anticolonial

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A luta anticolonial no banco dos réus

Não apenas, na acepção arbitrária de Arendt, eram absolvidos os regimes “totalitários” de Mussolini, Salazar e Franco, apesar do massacre e a exploração nas suas colôniais. Arendt, à altura da edição de 1966 de As Origens…, tergiversou sobre a possibilidade de caracterizar a China maoísta como totalitária. Mas não o regime colonial japonês a que a China foi submetida. Estupros, extermínio e escravidão que se seguiram à tomada de Nanquim, não serviam de evidência para nomear o Japão de totalitário. Mas a revolução que pôs fim a este jugo, sim. Vejamos, nas próprias palavras de Arendt, essa acusação:

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O radicalismo conservador de Foucault

É de amplo conhecimento, a tese foucaultiana da permeabilidade do poder no conjunto das relações e instituições sociais. Essa tese aparece como uma acusação radical contra toda forma de dominação. Mas não apenas isso. Justamente por afirmar que toda relação é uma relação de poder, Foucault impossibilita, em sua análise, qualquer momento de negação determinada, a negação de um conteúdo em particular cara à qualquer pressuposto de movimento transformador da realidade. Justamente por denunciar que toda relação é relação de poder, o autor esteriliza o potencial de transformação radical da sociedade, pois todo movimento transformador contém em si um momento de afirmação de poder de uma classe revolucionária.

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A história esotérica do racismo

A história do racismo de Foucault não tem espaço para as vítimas da supremacia racial branca dos EUA, e mais, para o francês, o racismo é o discurso revolucionário às avessas. A defesa da raça branca ariana contra o sangue inferior era a contraparte ideológica da luta contra os inimigos de classe. O racismo, em Foucault, assume um caráter esotérico. Em geral, já se é impossível compreender o fenômeno da dominação capitalista, ignorando o elemento do colonialismo. A desigualdade na relação colonial se expressa na dupla legislação para colonizados/escravizados e colonizadores/escravizadores. Esta, se expressa de forma ainda mais gritante nos EUA, pois as contrapartes dividem o mesmo espaço geográfico. Também o choque entre culturas e a relação de domínio dos impérios com as colônias, constituem um momento da reconstituição histórica do racismo.

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Esoterismo na biopolítica

Primeiro, vamos ao que Foucault chama de biopolítica. Segundo o francês,

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“Los intelectuales de verdadera filiación revolucionaria no tienen más remedio que aceptar un puesto en una acción colectiva”. José Carlos Mariátegui

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