Se amei?

Eu adoro aquelas listas de perguntas compartilhadas no Facebook. O teor das questões pode soar raso de primeira, mas leio e as faço sempre que posso. Dia desses, passando a vista em mais uma, me deparei com a seguinte pergunta: já amou? assim de supetão, direto e curto. De cara teria respondido não. A pergunta nem era pra mim, mas achei pessoal. Fiquei pensando sobre como a própria pessoa responderia e sobre como as outras pessoas do mundo responderiam. Pensei sobre a minha própria resposta, o motivo e de onde teria surgido esse não tão seguro de si.

Pensei sobre o que era o amor pra mim .

Pensei em como sempre imaginei o amor atrelado a alguma coisa que eu já tinha visto. Lembrei dos meus pais, muito diferentes e sempre juntos, e de como eles foram a primeira referência sobre isso. Lembrei da época em que na minha concepção, o amor mesmo era igual ao Diário de uma Paixão , que chegava como um furacão e que era resistente ao tempo. Lembrei até de quando o amor era (deveria ser) igual ao clipe de Love Story. Percebi que o motivo de afirmar que eu nunca amei é o fato de que nenhuma relação já vivida por mim tenha sido igual a essas que eu apontei, ou de tantas outras não citadas.

Pensei sobre como a gente idealiza o amor.

Se não for assim, eu nem quero. Não considero. Não vale. Nem me adianta. Prefiro não me culpar. O que não falta é produto falando sobre como é, e sobre como deve ser pautado, quase como uma cartilha. Vai saber se o bendito já não bateu na minha porta, e eu não enxerguei porque o filtro de Diário de uma Paixão não deixou? Idealizar tanto o amor, acaba impedindo que ele seja vivido na sua maravilhosa totalidade. Idealizar tanto o amor resulta no pensamento de que as vezes a gente ama errado, ou no meu caso, nem ama. Idealizar tanto o amor, atribui a ele um peso similar ao de um gesso, que imobiliza. É claro que ninguém pode largar e esquecer tudo o que viu. Muito menos esperar pouco desse sentimento.

Pensei sobre como é difícil encontrar o meio-termo. Sorte de quem consegue.