A confissão de fé do Apóstolo “incrédulo”

anos nossa análise exegética dos textos bíblicos que envolvem a história do Apóstolo Tomé tem sido sabotada por boa parte das pregações dissertadas em nossos púlpitos, que fomentam em nós uma visão confusa e errônea a respeito desse grande apóstolo. E antes que eu contribua com minha humilde opinião, quero me ater às Sagradas escrituras. Vejamos:

Tomé, também chamado de Dídimo (grego: Gêmeo), era um dos discípulos de Jesus identificado nas escrituras por suas coerentes perguntas.

Durante toda a revelação a respeito da Eternidade e do Plano de Salvação, Cristo disse:

Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.
 Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
 João 14:4,5

Após essa leitura, ao entender esse diálogo, tive que ficar de pé e aplaudir Tomé com todo o meu vigor. Tomé era um Discípulo que não tinha medo de expor suas dúvidas. Tomé demonstrou que não estava pronto para que o mestre partisse, pois ainda não havia entendido o que deveria ser feito, de fato, após sua morte.

Fazendo uma leitura contemporânea, Tomé seria o membro corajoso de uma igreja que após um sermão ou uma reunião de membros, não hesitaria em arguir ao mais alto ser da cadeira eclesiástica ali presente que não entendeu o fim específico do que acabara de ser dito. Isso é realmente fantástico! Tomé queria realmente crer, mas queria antes entender de fato o que foi proposto por Jesus. Singularmente eu considero essa uma fé coerente e racional.

Ao que tudo indica, com o passar do tempo, Dídimo de fato creu na mensagem do evangelho e decidiu entregar-se à aquilo que o Reino de Deus propõe (Leia Jo 11:16).

Como Jonas Madureira mesmo disse: “A gente se esquece que o primeiro culto a Cristo começou com alguém que DUVIDOU. Quando Tomé toca e faz o que um discípulo até então não tinha feito, ele dobra os joelhos e diz: “Tu és meu SENHOR e meu Deus“ (Jo 20:27–28). O Culto a Jesus começou com alguém que questionou num contexto de fé.

É claro que Tomé é exortado por Cristo, pois somente depois que viu as chagas em suas mãos de fato creu no milagre da ressurreição (Leia Jo 20;29). Porém ainda sim me identifico e admiro a figura desse Apóstolo. Entender o que cremos anula em nós a possibilidade de uma crise de fé como muitos hoje, infelizmente, vivem. Tomé persistiu em entender no que sua fé implicava. Ele parecia ser alguém que morreria pelo evangelho, mas que antes precisava ter a certeza de que essa seria a escolha certa a ser feita. Ele precisava entender se de fato deixar Pai, mãe, irmão ou amigos por amor de Jesus e do evangelho era uma escolha justa, e de fato o fez.

Historiadores contam que o apóstolo foi morto alvejado por lanças, quando orava. Sucumbiu como líder e mártir, como o crente fiel que Jesus lhe pediu. E a partir desse relato histórico entendemos qual foi a RAZÃO da esperança de Tomé.

Cristo a todo momento parecia alertá-lo para que sua racionalidade não ferisse sua espiritualidade: talvez um incentivo em buscar o equilíbrio.

Creio que a denúncia de Cristo à Igreja brasileira tem sido um apelo a uma maior RACIONALIDADE em busca de uma espiritualidade sadia, antagônica ao apelo feito à Tomé.

A igreja tem se parecido com o antigo Pedro que, na busca de uma demonstração de superioridade, dá lugar a um emocionalismo que a instiga a gritar: “mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei. ” (Mt 26;34).

Cada um faça a leitura de qual lado tem ocupado. O importante é que reconheçamos nossa necessidade de sermos transformados pelo Evangelho, e assim como de fato ocorreu neles, que a nós seja dada uma mudança de pensamento originada das escrituras e do Espírito de Deus dada a todos nós por meio de Jesus Cristo.

Grandes Homens de Deus permanecem grandes quando encontram em suas fraquezas oportunidade de dependerem e se fortalecerem no SENHOR.