Zebeléo prova que má comunicação pode acabar com reputações em apenas um clique

A semana que passou ficará marcada como uma das mais agitadas nas redes sociais. Além da bola fora da revista “Vogue Brasil” com a campanha de incentivo à Paralimpíada, o crowdfunding da hamburgueria Zebeléo foi tema de muita discussão.

Para quem não acompanhou, um resumo rápido: a empreendedora Bel Pesce, conhecida por ser a “Menina do Vale do Silício”, Zé Soares, do blog “Do Pão ao Caviar”, e o vencedor da terceira edição do MasterChef Brasil, Leo Young, lançaram um financiamento coletivo para criar uma hamburgueria em São Paulo.

A campanha entrou no ar, pela plataforma Kickante, na quinta-feira (25). E foi retirada do ar um dia depois, após reação adversa, raivosa e intolerante de parte do público que navega pela internet.

O que mais revoltou foi o uso do crowdfunding por pessoas com recursos para uma ideia nada inovadora. Para piorar, dois dias antes do lançamento, Leo Young venceu o programa culinário da Band e faturou R$ 150 mil como parte da premiação.

Ou seja, houve uma distorção do uso do crowdfunding. Normalmente usa-se o financiamento coletivo para ajudar causas sociais, artistas sem condições de se manter ou projetos realmente inovadores que podem ajudar a sociedade. Infelizmente, Zebeléo passou longe disso.

Dos três sócios no projeto, Bel Pesce é a que mais sofrerá as consequências desta empreitada mal sucedida. O fato de se posicionar como uma empreendedora, disposta a ajudar as pessoas com seu conhecimento, a deixou em uma situação bem desconfortável.

Os comentários em sua página no Facebook são horríveis. Muitos, claro, são demonstrações de inveja de pessoas fracassadas e que só esperavam um escorregão dela para atirar as pedras.

Ao encerrar a campanha do Kickante, Bel escreveu um texto e afirmou que sentiu na pele “o quanto uma percepção que não esteja alinhada com a intenção pode rapidamente produzir efeitos que te distanciam ainda mais da sua intenção”.

E fez um mea culpa ao citar falhas de comunicação ao divulgar o projeto. O objetivo, segundo Bel, com o financiamento coletivo não era arrecadar recursos para montar a hamburgueria.

“O negócio já vem sendo estruturado há cerca de 6 meses, e o crowdfunding era muito mais focado em uma pré-venda de produtos e experiências do que em qualquer outra coisa”, declarou.

Porém, no vídeo que os três fizeram para lançar o projeto, não fica clara essa intenção. Claramente o storytelling foi bem mal feito, dando mais ênfase para vender emoção do que as razões do financiamento coletivo. A percepção da internet foi: três riquinhos querem meu pobre e suado dinheirinho para faturar com uma hamburgueria gourmet.

Se realmente a intenção era levantar recursos para abrir uma hamburgueria usando o crowdfunding ou apenas vender experiências, não sei. Mas, claramente, há uma grande falha de comunicação. O que matou o projeto e chamuscou os participantes. A reputação do trio ficou abalada, sem dúvida alguma.

Haverá futuro?

Difícil prever, mas acredito que Zebeléo nasce com uma carga negativa muito forte. Para reverter isso apenas um caminho: realmente a comida precisará ser excepcional e a experiência dentro da hamburgueria, inesquecível. Com isso, o boca a boca ajudaria a mudar a rejeição das pessoas.

Para o trio, é viver um dia de cada vez e criar novos ativos em suas carreiras. Provar para a percepção das pessoas que suas intenções são boas.

A lição está aí e acredito que eles definitivamente aprenderam que a internet não perdoa ninguém.