Os três mosqueteiros (do Brasil)

Montagem FoxSports. Fonte: Getty Images

Por Eric Zambon

Se Alexandre Dumas soubesse que comparei Athos, Porthos e Aramis a Alisson, Jefferson e Cássio talvez se incomodasse, mas eu explico. Para ambos os grupos, quem vai roubar a cena é uma quarta figura. Foi D’Artagnan na França do século XVII de Dumas e será um (ainda) desconhecido para o Brasil da Copa de 2018.

Eu acredito no potencial dos convocados por Dunga, mas nenhum trouxe a confiança que a meta da Seleção perdeu desde a saída de Júlio César. Mal ou bem, ele era um bastião da equipe, pegou dois pênaltis nas oitavas-de-final contra o Chile, em 2014, e liderava a defesa em campo. Além disso, tinha um excelente jogo com os pés. Nenhum dos atuais postulantes detém tamanha confiança do torcedor, treinador ou torcedor. Prova maior disso foi a troca de titularidade e de convocados em menos de três partida pelas Eliminatórias.

Reuters

Cássio, Jefferson e Alisson estão no mesmo nível técnico para defender a equipe nacional. As características fortes de um compensam os pontos fracos de outro, mas nenhum tem habilidade superior à do companheiro. Alisson é o mais novo, Jefferson o mais experiente e Cássio está em melhor momento junto a sua equipe.

Até a data da convocação, em 22 de outubro, Cássio havia disputado 29 partidas pelo Corinthians no Brasileirão e levado 25 gols (média de 0,86 por jogo); Jefferson havia atuado 22 vezes pelo Botafogo na série B e tomado 14 gols (média de 0,63 por jogo); e Alisson defendido o Internacional em 20 oportunidades e sido vazado em 20 chances (média de 1 por jogo). Curiosamente, os times de todos eles venceram às vésperas da divulgação da lista de Dunga e repetiram o feito na rodada seguinte, quando já sabiam das boas novas.

Se levarmos em consideração que Jefferson disputa um certame tecnicamente mais fraco em relação aos seus concorrentes de posição, seus números melhores em alguns critérios técnicos perdem a força. Não duvido do instinto matador de Bilica e Yago Pikachu, mas os outros goleiros precisaram segurar Paolo Guerreiro, Alexandre Pato, Lucas Pratto e afins.


Getty Images

Jefferson, de 32 anos, é o único dentre os três em que é possível falar sobre histórico na Seleção. Cássio e Alisson tiveram experiências nas categorias de base da Canarinho, mas nada consistente para comparação. Cássio, com 20 anos na época, foi lembrado pelo próprio Dunga em 2007, quando defendia o PSV Eindhoven, da Holanda, mas em apenas uma ocasião e não entrou em campo.

O goleiro do Botafogo chegou ao time principal do Brasil ainda em 2010, quando Mano Menezes assumiu o comando técnico. Ao todo, disputou 22 jogos, entre amistosos (17), Copa América (4) e Eliminatórias (1). Foi vazado 11 vezes no total (média de 0,5 por jogo), defendeu 2 pênaltis (um deles cobrado por Messi) e acumulou 12clean sheets’ (54,5% das partidas sem buscar a bola no fundo das redes).

São números impressionantes para um goleiro de Seleção e mostram que ele merece um lugar. Durante a última Copa América, porém, Jefferson falhou em uma saída de bola (que resultou em gol do Peru, na rodada inaugural) e não praticou as defesas complicadas que o fizeram vestir a Amarelinha em primeiro lugar. Ainda assim, o “Pantera Negra” ou “Homem de Gelo” é tarimbado e um arqueiro seguro, além de ser capaz de feitos como a defesa na cabeçada de Benzema, em amistoso contra a França em março de 2015.


Leonardo Soares/UOL

Aos 28 anos, Cássio chega cercado de expectativas. No Brasileirão, compõe a melhor defesa do campeonato com sobras (26 gols tomados em 34 jogos), mas o sistema defensivo bem armado não é a única explicação para o bom desempenho. Segundo levantamento do Globoesporte.com, Cássio é o quarto goleiro mais decisivo do certame, tendo praticado 44 defesas consideradas difíceis — 31 delas teriam evitado empate ou virada do adversário.

Conforme o ranking de arqueiros do Brasileirão divulgado aqui na última semana, ele é o sexto da posição mais assíduo no campeonato e o maior detentor de ‘clean sheets’ até o momento, com 15 em 32 partidas (aproveitamento de 46,8%). Seu grande trunfo é a saída do gol, em que se agiganta e costuma demonstrar mais agilidade do que seus 1,96m de altura deixam transparecer (vide o lance diante de Diego Souza, do Vasco, em 2012).


Rafael Ribeiro/CBF

Alisson, de 23 anos, na teoria, é o que corre por fora, mas assumiu a titularidade da equipe na última partida das Eliminatórias, contra a Venezuela. Sua atuação foi boa, apesar de o adversário pouco ter agredido a meta. Foram oito chutes a gol dos oponentes, três no alvo, e ele foi vazado uma vez.

Dunga justificou a troca de titularidade pela “boa estatura” de Alisson, conforme o diário Lance!. No critério que um goleiro com pretensões de disputar Copa do Mundo precisa ser forte, porém, ele deixou a desejar. Aos 33 minutos do primeiro tempo, saiu jogando com os pés e entregou a bola nos pés de um venezuelano, que não soube aproveitar o lance.

No Brasileirão, o arqueiro do Internacional acumula 13 ‘clean sheets’ em 23 jogos (56,5% de aproveitamento) e praticou 63 defesas ao todo, segundo o footstats.com, sendo o 10º atleta da posição mais exigido do campeonato.

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