Wellington Lescano
Sep 5, 2018 · 2 min read

Do not panic!

Eu tenho consciência de que a vida não tem a obrigação de ser grandiosa. Eu também acho que nós somos apenas primatas que desenvolveram certa inteligência, desceram das árvores e criamos idiomas, civilizações e deuses. A filosofia e a astronomia nos mostram que somos passageiros no tempo e no espaço (sem analogias com a palavra ‘passageiros’, por favor) e fatalmente tudo que nos cerca terá um fim. Um fim bem menos hollywoodiano do que o descrito na bíblia e muito menos épico que o Ragnarok. Nada é especial quando há mais de 7 bilhões de exemplares. No meu ponto de vista não há nada além da morte, não há recompensas para os bons e nem castigo para os maus. Há apenas a escuridão e a luz das estrelas e dos planetas em suas órbitas. A ideia medieval de sermos o centro do universo é extremamente egocêntrica e delirante. Não somos especiais, por mais que a maioria das pessoas não aceitem essa ideia. Pode ser até que exista um deus, mas é improvável — e até inaceitável — que alguma entidade superpoderosa permita todas as barbáries que vivemos nesse planeta. Minha descrença e falta de fé são produtos de observações do cotidiano através da minha catastrófica visão de mundo e, por mais que as pessoas insistam em me rotular como pessimista, eu insisto em dizer que eu sou brutalmente realista.

O medo de ser insignificante massacra as pessoas, afinal nós somos criaturas divinas feitos à imagem e semelhança de um ser perfeito e esse pensamento é muito nocivo para nossa existência e para a sociedade. Achamos que somos únicos e que o mundo está aí para nos servir. Não estou me referindo ao abuso que o planeta Terra sofre por nossa conta, eu estou me referindo ao pensamento do afegão médio que acha que quem o ofende tem que ser punido e o que não concorda com ele está errado. Nossa mania de grandeza nos colocar num patamar tão ilusório que começamos a acreditar que podemos escolher pessoas em nossos círculos sociais. Acabamos crendo na ilusão de que vida é uma questão de escolhas, quando na verdade é uma questão de disponibilidade e de causalidades. O efeito borboleta pode explicar mais sobre a sua vida do que qualquer religião, culto ou seita que você participar.

O maior exemplo da falta de aceitação da mediocridade é a invenção de religiões. O ser humano parece não acreditar na pequenez da existência e quer, a todo custo, agarrar-se a alguma força superior e inexplicavelmente poderosa que rege tudo a sua volta — e convenientemente está alinhada ao seu estilo de vida. Quando não é uma religião, é o horóscopo, energias cósmicas, pernilongos mecânicos e até mesmo o comunismo.

As coisas não estão sob nosso total controle e nem tudo depende de nós. Se não somos especiais, que dizer que o mundo não vai acabar se não conseguirmos fazer as obrigações comuns do dia a dia. Um emprego é só um emprego, um namoro é só um namoro, uma derrota é só uma derrota. Fique tranquilo, um dia tudo acaba… tudo mesmo.

Não entre em pânico.

=)

    Wellington Lescano

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    Instagram : @lescanowellington

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