Strong Woman Do Bong Soon: Provando que as aparências enganam

Por: Carol Zenzen

Drama: Strong Woman Do Bong-Soon/힘쎈여자 도봉순

Diretor(a): Lee Hyeong-Min

Escritor(a): Baek Mi-Kyeong

Canal: JTBC

Episódios: 16

Data de transmissão: 24 de fevereiro — 15 de abril de 2017

Comecei esse dorama sabendo absolutamente nada sobre ele além do fato de que o meu bias era um dos personagens principais, mas a cada novo episódio fui mais e mais cativada e Strong Woman Do Bong Soon acabou entrando com facilidade no meu top 3. E aqui em baixo explicarei o porquê deste ser, na minha opinião, um dos melhores doramas coreanos dos últimos anos.

SINOPSE

“Ela não é uma mulher comum. Do Bong Soon (Park Bo Young) é uma mulher que possui força hercúlea. Ela pode esmagar objetos com as mãos nuas quando os segura com muita força. Embora Bong Soon queira ser uma mulher delicada e elegante pela qual os homens se apaixonam, ela não pode negar sua força sobre-humana. Seu atributo especial permite que ela consiga um emprego como guarda-costas para Ahn Min Hyuk (Park Hyung Sik), o herdeiro chaebol com tendências excêntricas, que dirige uma companhia de jogos. O amigo de infância de Bong Soon, In Gook Doo (Ji Soo), tem uma paixão secreta por ela desde a escola primária. Como ele reagirá quando as coisas começarem a esquentar entre Bong Soon e o chefe louco dela?”

Nos primeiros momentos somos apresentados, por meio de um sonho, a ninguém menos que o icônico Ahn Min Hyuk (Park Hyung Sik do ZE:A) ainda adolescente, dentro de um ônibus e prestes a sofrer um acidente que só não acontece porque alguém com uma super força — quem será? — consegue pará-lo. E em seguida a personagem Do Bong Soon (Park Bo Young) é revelada, em meio a sua rotina matinal, comendo ramen e recebendo uma mensagem de que falhou em outra entrevista de emprego.

E foi apenas questão de tempo, e algumas cenas, para que os caminhos desses dois protagonistas únicos se cruzassem. Min Hyuk, agora CEO Ahn, sem querer acaba vendo uma das raras demonstrações de força de Bong Soon e é testemunha de que ela conseguiu acabar com uma gangue toda sozinha em questão de dois minutos.

Do Bong Soon é pequena e muito fofa, parece inofensiva, mas o que poucos sabem é que ela é dona de uma força anormal e que pode acabar com qualquer um. Ela é a maior prova de que as aparências enganam. Além de tudo isso, após tentar várias carreiras, nossa protagonista acabou se voltando para o mundo dos games e seu sonho é criar um game com a personagem principal semelhante a si.

Já MinHyuk é dono de uma empresa de games considerada simplesmente uma das melhores da Coreia — o sonho de consumo de Bong Soon. Ele é jovem, ganancioso e metido e admite tudo isso sem vergonha alguma. Logo de cara ele se apaixona pela protagonista e diferente de outros protagonistas (tipo um Goo Jun Pyo da vida) não faz questão de esconder isso.

ahhh tão lindo ❤

Ele também sabe reconhecer bem suas fraquezas e admite que apesar de todo o dinheiro, fama e poder que tem, é uma pessoa muito solitária e que não pode confiar sequer em sua família. Minhyuk aguenta ataques de hackers e ameaças até de morte diariamente, e é impossível não ficar mal por ele quando é revelado quem está por trás destes ataques, dando uma profundidade a ele e criando até mesmo um sentimento de simpatia.

Outro personagem de destaque é In Gook Do (Ji soo), um policial destemido e cheio de paixão por seu trabalho que era capaz de fazer de tudo para resolver algum crime sem nem se importar com qual era a classe social da pessoa ou o poder que tinha. Além de tudo isso, Gook Do é amigo de longa data de Bong Soon e o crush dela a anoooos, mas por mais evidente que esteja, o rapaz não consegue perceber os sentimentos da amiga.

Sou muito fã do ator Jisoo e sempre acompanho seus dramas, mas de todos que já vi esse personagem foi o que menos gostei, isso porque Gook Do tinha um jeito machista com a prota e chegava a ser irritante. Achei bem realista a forma como esse casal se desenvolve, pois Bong Soon estava cega de amor e não conseguia perceber as atitudes controladoras e quase (força no quase) abusivas do rapaz e só foi perceber isso quando seus sentimentos mudaram.

Bong Soon me representando~~

Uma coisa que também me agradou muito nesse dorama foram os personagens e as tramas secundárias. Alguns eram apenas alívios cômicos, já outros traziam dramas e questionamentos sérios, mas no final todos tiveram a sua importância e uma conclusão redondinha.

O irmão gêmeo de Bong Soon, Do Bong Ki (Ah Woo Yeon, Circle) de início não tinha tanto destaque, mas ele acabou fazendo parte do segundo triângulo amoroso (porque um não era o suficiente) juntamente com Jo Hee Jin (Seol In-a) e Gook Do. O interessante desse triângulo foi ver a forma como os dois rapazes se comportaram e como a amizade de infância deles se manteve sólida mesmo quando acabaram gostando e se envolvendo com a mesma garota.

Os pais dos gêmeos também são sensacionais, são personagens que mais misturam a comédia com a seriedade. Aparentemente é um casal que vive em pé de guerra, Hwan Jin Yi (Shim Hye Jin) com voz ativa e ciumenta, enquanto que Do Chil Goo (Yoo Jae Myung) é calado e só contesta as coisas quando chega ao seu extremo. Os dois quebram a questão do patriarcado, mas também trazem o matriarcado átona e a relação de poder dentro das casas e famílias.

E eu não podia deixar de falar da trama secundária, responsável por dar um clima mais tenso a história que, por mais questionadora que fosse, ainda tinha um ar leve e meio cômico. De início acreditei que o segundo plot não seria de grande importância ou que não faria muito sentido afinal não demora muito para o rosto do vilão ser revelado, mas o ator Jang Mi Kwang foi genial.

Basicamente ele interpretava um sequestrador que, de início, atacava apenas mulheres magras e altas que andavam pelo bairro da prota durante a noite. Sua inspiração vinha de uma peça de teatro onde um homem prendia sete mulheres e se casava com todos elas, mas o objetivo do vilão acaba mudando quando ele ataca Nam Kyun Shin (Park Bomi), a melhor amiga de Bong Soon — e muito fofa — e tem seu ego “ferido” pela protagonista.

A partir daí as coisas vão ficando mais tensa e o vilão sente uma grande necessidade de vingança contra Do Bong Soon, o que acaba envolvendo todos os personagens do dorama e aprofundando ainda mais o relacionamento do casal principal. E a cada cena nova eu ficava ainda mais envolvida e cativada, porque tudo acaba se conectando e dando sentido ao drama como um todo.

Strong Woman Do Bong Soon pode parecer apenas mais um clichê romântico misturado com comédia e, de fato, esses clichês aparecem, porém de uma forma totalmente desconstruída que nos faz refletir sobre ações do dia a dia. Ele é mais uma das poucas produções sul coreanas atuais que tem como questão o empoderamento feminino, a exposição do machismo enraizado na sociedade, a misoginia e os preconceitos com relação a homossexualidade.

E é por isso que chego ao final dessa resenha experimental recomendando com sinceridade esse dorama maravilhoso e que vai deixar saudades.

A química desses dois foi too much pro meu coração