quer comer? vai um app aí?

se você nunca agiu escrotamente no mundo virtual, não leia este texto. um beijo e uma salva de palmas pra você. aos demais, fiquem!

dê o primeiro like quem nunca utilizou os apps - facilitadores da vida - pra uma função qualquer que seja.

tecnologia + smartphones + apps estão aí pra isto: resolver a sua vida. ou, detonar com ela e a minha, a nossa. e é desta segunda possibilidade que falaremos.

hoje tudo se faz com o celular: desde pegar receitas, até pegar mulher. desde escolher uma pizza até escolher a próxima que você quer comer.

faço parte de uma geração que viveu muito bem, obrigado, sem internet. onde tudo era mais orgânico, presente, real. era cara a cara, olho no olho. conquistar alguém era de fato um desafio, uma vitória.

aí chegou a internet, avançamos alguns anos e chegamos à era "no limits", onde em segundos seu smartphone está repleto de apps de pegação e abre-se então a vitrine do açougue onde você escolhe qual carne saciará sua fome.

tenho plena convicção de que estamos seguindo um caminho sem volta e sinto pena de todos nós. quanto mais avançamos na tecnologia, regredimos como seres humanos. estamos criando uma legião de covardes, frouxos e babacas.

sem o perdão do termo, mas em tempos de tinder, happn, brenda, pof, kickoff, 3nder, okcupid, badoo e outros tantos apps de relacionamento, quem tem culhão de encarar um encontro às antigas é rei!

o cenário é: do sofá você liga o turbo do indicador e arrasta fotos, scrolla, clica no x ou no ❤ e tá feito. em questão de minutos seu cardápio estará à sua disposição.

a grande questão é o que vem depois, e é aí que o bicho pega.

sinceramente não acho que tantos facilitadores sejam o problema e sim, o que cada um faz com a arma que tem nas mãos ou na ponta do dedo.

hoje, mais do que nunca, somos infelizes, solitários e não acreditamos em relacionamentos reais. os apps nos deixaram muito mais distantes e frios e isso não é novidade pra ninguém. jogos, estratégias e novos comportamentos foram "desenvolvidos" para aguentarmos o tranco desta vida através da tela de pequenas polegadas.

se você nunca viveu ou não ouviu relatos sobre isto, meu deus! será que o problema sou eu e minha gama de amigos? do lado de cá é cada vez mais recorrente iniciar conversas que minguam sem motivo que justifique.

também é comum antes do primeiro encontro, ler frases do tipo: "não estou pronto para um relacionamento", "não quero nada além", "não posso me apaixonar"… OHHHH MAN! o que está acontecendo? me explica?

jura mesmo que o fato de sair pra tomar um café com alguém, significa que a outra parte esteja esperando por uma aliança e um pedido de namoro? é sério que vocês acham necessário descer esta barreira intransponível sem ao menos conhecer quem também faz parte desta história? me soa tão arrogante e imbecil. digo com total conhecimento de causa, já vivi isto. e o que aconteceu na cena seguinte? aquela mesma boca que em segundos me jogou pra longe, tentou me trazer de volta e fazer acreditar que valeria a pena e… tarde demais. como diria vovó: "palavras lançadas são como flechas, não voltam e têm um poder arrebatador".

não subestimem nossa inteligência e critérios seletivos, darlings. menos, bem menos.

este tipo de comportamento é excesso de auto-estima ou de covardia? que esta pergunta ressoe em seus cérebros e que a carapuça te transforme em alguém mais interessante. ainda há tempo!

tenho uma inquietação pessoal: não me conformo em ser mais do mesmo. a opacidade me ofusca, incomoda. e talvez por isto eu caia em tantas ciladas. me parece natural desejar uma cia. seja para conversar online ou pessoalmente sobre assuntos aleatórios, seja para durar mais que uma noite, seja para viver uma história.

sou dessas e sei que como eu existem muitas.

aquelas que sentem frio na barriga quando chega uma mensagem. aquelas que vibram ao conhecer uma pessoa nova. aquelas que se sentem eternas adolescentes e sobretudo: aquelas que não se permitem serem escrotas.

e o que fazem com tudo isto? bom, existem muitas variantes, das mais recorrentes:

os gatões, garanhões e pegadores sensacionais: te deixam no vácuo; nunca mais respondem; marcam encontros e não aparecem; se tornam mágicos: comem e somem; visualizam mensagens e respondem dias depois…

num geral: jogam suas emoções, intimidades e pensamentos ali no limbo do lixo virtual, como se nada houvera.

tá na nuvem né? foooooooda-se!

pena que por trás de cada tela exista uma pessoa real, um corpo, uma alma e um coração. pena que ainda não existam apps e tecnologia suficientes para eliminar sentimentos e nos tornar robôs. pena que ainda exista sofrimento, mágoa, desentendimento, dúvida e sobretudo a esperança de que a próxima pessoa pode ser alguém melhor, que valha a pena.

se hoje você age assim, como um babaca, um caçador tresloucado e que não mensura seus atos, fique tranquilo gatão. já dizia o ditado: um dia da caça, outro do caçador.

amanhã provavelmente você será vítima de uma fisgadora, aquela que te ignorará e te trocará em questão de segundos pelo próximo match, crush ou ou por qualquer coisa, sem a menor justificativa. por mais que você se esforce sendo um cara legal, transparente, sem jogos, sem diálogos monossilábicos… por mais que você a convide para jantar no cenário mais deslumbrante da cidade, por mais que…

relações escorrem pelos dedos, se diluem e viram nada. ontem vocês trocavam nudes e hoje… quem era mesmo?

se um dia você descobrir o segredo de como fazer menos papel de idiota, compartilhe. tem muita gente que precisa saber.

aos que se expõem em apps com propósito estampado, minimamente precisam aprender a agir com dignidade e respeito (aos que não sabem o que significa, o google pode ajudar).

por hora, esforce-se para fazer diferente. acredite: a alegria da sua vida, o seu cafuné matinal, o melhor cheiro, a pele mais mágica e o beijo mais encantador podem estar aí, na sua tela. "seje menas", de imbecil o mundo está cheio.

e lembre-se: o propósito destas ferramentas é bom. o mecanismo de controle e uso depende de você. ser um otário ou não: eis a questão.

aos covardes que se doeram com estas palavras: fodam-se e aquele abraço.