O mundo não acaba amanhã.

Já foi a virada de milênio. Já foi 6/6/2006. Juraram que era 2012. Agora é 16 de fevereiro de 2017.

Por que insistimos em datar o fim do mundo?

Talvez seja uma maneira mais fácil de lidar. Como quem arranca um tufo de cabelo embaraçado de uma vez, ao invés de desatar os nós, um por um. Resolver cada problema espalhado pelo planeta é difícil demais. Deletar o mundo e reiniciar seria bem mais prático.

Talvez seja porque nós, humanos, somos movidos pela urgência. Sem a certeza do amanhã, só nos resta o agora. Perdemos o luxo do tempo, perdemos o conforto de adiar nossos sonhos. Diante da tragédia, vem a pressa de viver intensamente. De repente, precisamos dizer às pessoas queridas que as amamos. As pequenas picuinhas do dia a dia finalmente entram na balança. Confrontamos uma desconfortável verdade: gastamos muita energia em coisas que, no fim das contas, não importam.

E aí — só aí — mudamos um pouco de perspectiva. Só na iminência do desastre.

Difícil mesmo é perceber tudo isso com séculos de humanidade pela frente. Viver dia após dia é o verdadeiro desafio.

Será por isso que somos tão obcecados com a data do fim do mundo? Para facilitar as coisas?

Não, o mundo não acaba amanhã. Somos complicados demais pra isso.

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