Auto falante

Um amigo de um ex namorado, o Júlio, me disse uma vez pra nunca parar de escrever, por causa da minha “excentricidade e extravagância ordinária (no bom sentido)”. Ele leu um blog inteiro que eu alimentava com todos os meus pensamentos sobre a vida, quando eu tinha uns 19 ou 20 anos, e deixou esse comentário, que eu nunca esqueci.
Sempre gostei de escrever, porque pra mim sempre foi o jeito mais eficaz de organizar as coisas aqui dentro. A questão é que eu sempre achei que, pra escrever, eu tinha de ter algo importante a dizer e que fosse ser util a alguém — praticamente uma prestação de serviços. E quando eu decidi que era hora de aprender mais sobre as coisas que eu pensava, entender melhor as outras pessoas e avaliar o meu comportamento, eu me permiti mudar de ideia muitas e muitas vezes, então achei melhor me manter em silêncio. NIQUI entendi o valor do silêncio na preservação das minhas relações e da minha saúde mental, nunca mais achei tão importante falar.
Porém contudo entretanto todavia, acho que me desfiz dessas necessidades e tenho sentido vontade de escrever só pelo exercício da organização e da partilha dos sentimentos, sem a intenção de ajudar ou de ter meus pensamentos validados por outras pessoas. Mas é complicado, né? A exposição permite o questionamento da sacralidade (vish), da importância dos sentimentos. E eu tenho desespero de que falem pra menos do que me custa os fundos.
Não sei se ainda sou excentrica e extravagante. Eu sei sobre pouca coisa, na verdade. Mas desde que eu não encha o saco de ninguém… Tudo bem voltar a falar.

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