De volta para o passado nem tão passado assim

O dia no qual levei uma Cybershot no show do Peter, Bjorn e John. Em 2017.

2002 is back!

A Amber tem uma Cybershot dando sopa aqui em casa. Dos idos de 2000, 7.2 megapixels, menor do que muito telefone por aí. Tem o sensor maior, o que ajuda em algumas coisas.

Tem que editar. E bastante.

E a Cybershot tem controle manual. Pensa na plenitude do ISO 400 dando sopa, sem ter de passar pelo clássico "é proibido entrar com câmera profissional aqui", já que ela cabe no seu bolso. Igual a um celular.

Mas tem que editar muito. Mesmo.

"Beleza, Julio. Qual a diferença então entre levar a Cybershot e um celular?". Muita. Imensa. Infinita.

Essa foto não sairia de um iPhone 5.

Começa pelo zoom digital. A fotografia de celular evoluiu a rodo, mas o zoom sempre foi um inferno. Aquele lance de fazer a pinça com os dedos não funciona. Não adianta: chegamos na lua, temos streaming de filmes e escutamos qualquer música com apenas um toque. Mas aquilo não funciona. Não vou dizer que não vai funcionar daqui, sei lá, dez milhões de anos. O Elon Musk deve ser obcecado com isso mais do que ir para Marte. Não é o zoom ótico, mas como ele é o maior inimigo dos seguranças em todo o mundo, o digital quebra um baita galho.

E o PB até que sai honesto.

Tem também a ergonomia. Quando eu vejo a série "feito com iPhone", eu nem penso nas dificuldades de luz e no quanto o cara teve de trabalhar para montar aquela foto. Eu penso na ergonomia. Segurar um celular e fotografar é uma tarefa de malabarista. Os caras que ficam no farol com aquelas bolinhas não fazem um décimo do esforço de quem fotografa com celular. Os caras do Cirque de Soleil não tem a estrutura física para isso. Talvez com a evolução natural da espécie, consigamos daqui uns dez milhões de anos. Mais ou menos quando o Musk decifrar o enigma do zoom zoado.

O PB sai bem honesto, inclusive.

E o controle de velocidade de obturador e de abertura. Não que a Cybershot seja um exemplo no segundo caso: tem f 2.8, f 5.6 e só. Mas é aquilo: pelo menos não carrego 218 quilos de equipamento e nem tenho a chance de adquirir doenças inimagináveis graças aos produtos químicos como o Daguerre, então estou com vantagem.

Dá para controlar quem se mexe e quem fica parado.

E por fim, tem o perrengue da tecnologia de hoje. Nos faz apreciar muito mais os avanços que passamos nos últimos dez anos. Sabe aquele ruído que a 7D tem a partir do ISO 1600? Pois bem, ele é lindo perto do perrengue de uma Cybershot. A perspectiva que você coloca na tecnologia depois de usar algo "velho" é maravilhoso. Até essas letras aparecendo do nada aqui no Medium fazem com que eu me sinta vivendo num futuro incrivelmente distante. Mas, ainda, sem um zoom digital decente.

Granulou? Sim, mas quem nunca?