La La Land não é ruim

Tem alguns spoilers aqui, então te cuida.

Obrigatório em La La Land: transar músicas e danças.

La La Land não é ruim como falaram. Não é nenhum Cantando na chuva, apesar de beber bastante água dessa fonte. Mas não é esse desastre todos que pintaram. Pelo contrário.

A primeira coisa que você precisa para ver La La Land é ser fã de musicais. Mas musical mesmo, daqueles que a turma lava a louça cantando e joga o lixo na rua com rima. Não adianta curtir o Moulin Rouge: tem que gostar do Richard Gere defendendo a Roxy no tribunal com uma música, mas gostar mesmo a ponto de falar EITA QUE ATORZÃO DA PORRA É O GERE, HEIN.

E tem que ser fã de Casablanca. Não dá para curtir La La Land sem conhecer um pouco do que a Ilsa Lund fez. A Ilsa foi embora, se fode aí Rick, e tem de ter essa referência com La La Land. Isso muda o filme. Tira esse ar de musical romântico, tira até o ar de história do jazz (porque não, o filme não conta a história do jazz, ele usa uma parte dela como pano de fundo) e o transforma no que ele é: um puta filme sobre relacionamento.

No Casablanca tínhamos a guerra e dois sentimentos dos protagonistas: o cinismo do Rick versus o compromisso da Ilsa. Em La La Land não temos guerra, mas dois sentimentos distintos aparecem: o fanatismo com o jazz de Sebastian versus a vontade de ser bem sucedida como atriz de Mia. Apesar de sensações parecidas, ambos terão de sacrificar suas vontades para satisfazer o outro. São dois personagens que, por mais que se amem e o cacete a quatro, nunca poderiam ficar juntos, porque o sentimento deles pelas artes que representam é muito mais forte.

E mesmo mostrando que, se tivessem feito tudo certo eles poderiam ter uma chance, a verdade é que não poderiam. Por isso o olhar de Ilsa da Mia para um Sebastian resignado que, por mais que ele a queira, nunca embarcaria em um avião, da mesma forma que Rick não embarcou. Eles sempre terão Paris, que no caso de La La Land é o verão de Los Angeles.