O mundo assombrado pelos arrombados

Estamos todos cercados pela arrombadice.

O mundo está forrado de arrombado. Mas forrado mesmo. Não há uma esfera de poder sem um arrombado. Não há empresa, time de futebol, instituição secular ou família que não tenha ao menos um arrombado entre os seus. Eles estão em todas as partes, em todas as classes.

O arrombado é um caso clássico de pau no cu social. É quem nos joga de volta na idade das trevas, mostrando o pior de nós e ensinando que sim, quando você pensa que a arrombadice chegou ao limite, ela pode se superar. Porque se tem um lugar que tem mais superação do que, sei lá, o esporte, esse lugar é o arrombadorismo.

O arrombado é facilmente identificável. Ele é o cara da fila dupla, o que fura fila, que coloca umas leis nada a ver para foder com a nossa vida. É o infeliz que tem bicicleta dobrável, que pedala conversando ou que ocupa o espaço de quatro pessoas num banco. O cara que vai na praça de alimentação e põe o crachá, a chave, a foto do filho mais novo na mesa para segurar lugar. E ele faz isso com gosto: o arrombado ama ser arrombado. Para ele é como se o mundo fosse criado para sua existência arrombadícia e, portanto, cabe a ele o destino manifesto de ser arrombado.

Vida e obra de um ARROMBADO, assim mesmo, em caps lock.

Mas o que fazer com os arrombados? Como tratar com alguém que ama ser arrombado e faz disso um estilo de vida? Chama-lo de arrombado não basta, vez que ele ama o status. Alguns dizem que a solução é votar melhor. Outros, que multar o arrombado faz com que ele seja menos arrombado. Tem gente que defende que um bom carrinho educativo por trás pode mudar a perspectiva de um arrombado em relação ao mundo.

Não adianta. O arrombadorismo veio para ficar. Cada vez mais seremos um mundo de arrombados. Se hoje todos os arrombados do mundo equivalem a população do Brasil, amanhã eles serão a China. E depois, o mundo. O arrombado sempre leva vantagem — ou pelo menos acha que leva — e isso leva outras pessoas a almejarem o status de arrombados. O arrombado é uma praga que se adapta ao sistema e, pior, transforma o sistema para seu bel prazer. Arrombado é como o rato: a cada geração se torna mais forte e mais imune.

Em um mundo com a comunicação cada vez mais dinâmica, o arrombado ganha mais voz. E não há nada que possamos fazer para impedi-lo. Mas a tentativa pode ao menos ser prazerosa. Portanto, tente não ser um arrombado. E tente parar os arrombados com educativos carrinhos por trás, daqueles bem tesoura mesmo, capazes de fazer o Cocito chorar de orgulho.

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