Star Wars e os estagiários

Se eu fosse um desses consultores de jovens talentos para empresas, usaria o Star Wars — A Vingança dos Sith para exemplificar como uma companhia não deve tratar seus estagiários.

Vejam, por exemplo, a cena na qual Anakin conta para Mace Windu que o Senador Palpatine é um lorde Sith. O cara ao invés de falar PUTA BOM TRABALHO HEIN FERA, PARABÉNS E SE PÁ VOCÊ MERECE UMA PROMOÇÃO vai lá e manda Ó, FICA AQUI NA MIUDA QUE EU VOU LÁ FAZER A PREZA COM A DIRETORIA. Sério, o estagiário acabou de entregar um baita trampo e o outro vai lá gozar com o pau dele?

Daí o Anakin, jovem impetuoso e com perspectiva de crescimento na firma resolve ver de perto qual é o Mace Windu, mesmo contrariando uma ordem direta. Afinal de contas não é possível que uma pessoa seja tão tapada de não se ligar que tudo que o estagiário deseja é um parabéns. Chega lá no gabinete do Senador e Windu, de sabre em punho, está prestes a fazer justiça com as próprias mãos. Anakin mais uma vez se mostra um funcionário consciente, lembrando que o código de conduta do trampo não permite morte. Mace deveria mandar um ORRA CARA AÍ SIM PARABÉNS DE NOVO, ALÉM DE DESCOBRIR QUE ESSE SAFADO É DA CONCORRÊNCIA AINDA RESPEITA OS VALORES E A MISSÃO DE NOSSA EMPRESA, VOCÊ SERÁ CEO UM DIA. Mas não, sendo pau no cu como todos do conselho, manda um RAPA FORA DAQUI QUE ESSE CARA ESTÁ TE SEDUZINDO. O final da história, vocês já sabem.

Ao longo do filme, diversas situações mostram que Anakin foi um estagiário mal compreendido. Sempre que ele vai ao Conselho Jedi com alguma ideia que reduza custos, o Mestre Yoda fica naqueles de NOSSA HÁ ALGO DE MUITO SOMBRIO EM VOCÊ. O que há de sombrio em otimizar o Conselho Jedi, Mestre? Obi Wan Kenobi é outro que merece nota: ao invés de defender seu estagiário, sempre fica naquela de fazer média com o conselho. Pô, são anos de dedicação aguentando aquela ladainha de que A FORÇA É GRANDE EM VOCÊ mas daí chega no final do mês e o pagamento vem tão curto a ponto de deixar a mulher à beira da morte.

Óbvio que por tudo isso e muito mais, ele seria seduzido pelo lado negro da Força. Que também não é lá essas maravilhas, parece a Apple do universo de Star Wars. Mas isso fica para outro dia.

Aliás, outro dia um cazzo. O Império Galático é a Apple do universo. Vejam: Palpatine adora roubar uma ideia alheia, e qual ideia pode ser melhor do que o cara que trará equilíbrio para a Força? Daí o que ele faz? Mostra que os designs do Império são incríveis (a Estrela da Morte parece muito aquele Mac redondo, o colorido), diz que ele será valorizado como merece na empresa e o escambau. Anakin vai lá, muda o nome para Vader, tenta conquistar o Universo e eis que surge Luke Skywalker — que por sinal também é seu filho. Palpatine, como bom CEO da Apple, resolve que é hora de arrumar um novo estagiário talentoso porque Vader já deu o que tinha que dar. VACA VÉIA NÃO DÁ MAIS LEITE, diz o agora Imperador.

Só que o Luke tem uma vantagem que Anakin não tinha: ele é autônomo, já que o Conselho Jedi não existe mais (e aqui temos uma dica para as empresas). Apesar do Mestre Yoda aparecer para cagar regra em encontros de capacitação, Luke faz diferente do pai e fala VELHO FODA-SE OLHA SÓ VOCÊ NEM FODENDO QUE VOCÊ É UM GRANDE MESTRE JEDI, VOCÊ É NO MÁXIMO O JOÃO DÓRIA DO ESPAÇO. Não devemos julgar o livro pela capa, mas Luke teve um pressentimento fodido de que aquele cara é atraso de vida. Ele ignora todos os conceitos da empresa do pai e resolve agir por si, sendo empreendedor e criando startups universo afora.

Palpatine, como bom CEO da Apple, chama Luke para uma conversa amigável sobre negócios e joga as cartas na mesa: MATA ESSE FILHO DA PUTA AÍ E O TRAMPO É SEU. Luke, ao contrário do pai, vive um outro conceito mercadológico. Para ele, compensa mais ser pejotinha do que ficar a mercê da rotina. Tudo que ele quer é viajar pela Galáxia e conhecer as inovações do mercado.

E o que aprendemos de toda essa história? Simples: eu nunca poderia ser um desses consultores de jovens talentos.

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