Vamos comer a janta primeiro?


E deixar a sobremesa para depois?

Quando nossas mães nos ensinaram a comer primeiro o almoço/jantar para depois pensarmos, havia um ensinamento aí: nos dar a paciência de apreciar cada coisa a seu tempo.

Na semana passada os EUA legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. Assim como na economia, na política e nas artes, um espirro nos EUA trazem a compra imediata de Naldecon em todo o mundo. Óbvio que isso deve ser louvado como um avanço único na história, mesmo que já tenhamos leis iguais em países como o Brasil.

Mas na era da informação as coisas tomam proporções imensas. O Facebook, endossando a campanha (e criando um baita banco de dados segundo alguns), deu a seus usuários a chance de colorir seus avatares com as cores do arco-íris. E a turma que apóia a questão foi em peso trocar de perfil e ser feliz. Mas, claro, houve quem não gostou.

E é importante ter quem não goste. Mas, mais importante, é ter calma com os atos de outras pessoas. Não adianta você espernear sobre a fome na África quando o assunto é uma importante barreira derrubada em prol da luta contra a homofobia. Ou ainda trazer a Guerra Fria de volta a tona, lembrando que os EUA são os vilões de parte da esquerda que comemorou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ou ainda vir com aquela de que a América é parceira de países classicamente homofóbicos como os Emirados Árabes Unidos. É hora de se comemorar.

Hoje em dia é comum, pela velocidade das coisas, querermos a janta e a sobremesa ao mesmo tempo. A gente não tem mais tempo para saborear calmamente os fatos: para cada casamento gay legalizado há uma crise econômica em um país europeu esperando para ser o próximo assunto. A legalização do casamento resistiu bravamente ao longo do dia, passou pelo final de semana e ainda aparece nas linhas dos tempo por conta do logaritmo meio maluco do Facebook. Mas ele deve ser saboreado como um belo bife com batata. Com calma e com gosto, esperando a sobremesa que chegará em breve. Casa coisa de uma vez.

Na discussão entre os Julios, todo mundo perde sempre.
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