Sede de semântica
Quando o léxico não basta, a gente sente vontade de ir atrás de mais significantes e significados.

Sabe, eu queria era saber escrever bonito. Falar de sentimentos, dores, amores, saberes e tudo com palavras profundas e orações surpreendentes e cadência e ritmo tal qual os escritores e escritoras que tanto admiro, aqueles da literatura e também aqueles dos blogs. Mas meu texto é simples. Bruto. Falta lapidar. Sempre me faltam palavras e não me atrevo a buscar sinônimos no dicionário porque aquele ali é um outro mundo onde sempre me perco.
E aí que de novo estou escrevendo sobre escrever quando na verdade eu queria escrever sobre sentir. Meu bloco de notas é esse mexidão de pensamentos sobre o mesmo assunto que sempre começa diferente mas termina igual. Parecem minhas sessões de terapia que sempre começam diferentes mas terminam iguais. Talvez escrever sobre escrever é minha maneira de falar sobre sentimentos, a metalinguagem em mim é rota de fuga (ou, quem sabe, de encontro) da razão com o sentimento — porque a emoção, ahhh, dessa a gente não escapa.
Diantes das letras eu mergulho, mas aprendi que da fonética e fonologia a gente saí apenas com o léxico e eu queria mesmo era sair com a semântica. Mergulha letra e sai palavra completa, com signo pronto e bonito de se ver. Um dia eu chego lá.
E cara leitora ou leitor, não se preocupe, aqui não tem metáforas obscuras nas entrelinhas, não.
O texto é bruto, falta lapidar.
