O Egoísta da Coxinha: caindo na rua e empurrando a menina Trakinas

Algumas pessoas têm o dom de passar mais vergonha que outras, eu mesmo sou uma delas. O fato de ser desastrado (pra não dizer lerdo) ajuda bastante. Eu esbarro em tudo: quina de mesa, pessoas na rua, objetos, velhinhas indefesas, dogs, fantasmas, tudo. Um dia desses tava eu andando na rua como quem não quer nada (mentira eu tava bem apressado) e sem querer PLAU tropecei na rua. Ainda era cedo então não tinha muita gente andando na rua, mas mesmo assim fiquei com vergonha, imaginando as pessoas comentando “Nossa esse daí nem pra andar na rua direito serve”. Podia ter me levantado e continuar andando tranquilamente como se nada tivesse acontecido, mas tive a brilhante ideia de sair correndo (???). Lembrando agora acho que deve ter sido uma situação bem bizarra, mas tudo bem, segue o jogo.

Lembro também da vez que eu derrubei uma estatua no colégio por comida. Péra que eu vou explicar essa história direito que falando assim ficou bem estranho.
Quando eu era pequeno eu odiava comer, de verdade. Minha mãe me colocava de castigo pra me fazer almoçar. Em compensação parece que os dias preso na mesa pra comer arroz com feijão surtiram efeito já que em pouco tempo eu me tornaria uma forrageira humana.
No colégio, na sexta série pra ser mais exato, lá estava eu no intervalo todo felizinho indo comprar minha coxinha com coca, já que ficar na quadra jogando bola não era muito meu forte (de vez em quando eu ainda arriscava, mas naquele dia em questão não tava afim de levar bolada na cara então achei melhor comer). Tava eu lá, em pé lanchando com uns amigos, quando uma gordinha fdp da minha sala veio me pedir um pedaço do lanche.
Quando alguém me pedia um pedaço do lanche na escola era todo um processo para eu decidir se dava ou não, veja:
- Se eu já pedi um pedaço e o coleguinha me deu ou se eu sentir que se um dia eu precisasse de um pedaço ele ia me dar (dou um pedaço!)
- se for só um papa lanche do caralho afim de comer minha comida de graça sendo que nunca me deu nada (não dou nem sorriso, quem dirá pedaço de lanche)
A coxinha já não era tão grande e a Trakinas (vamos chama-la assim já que pensando nela agora o rosto redondo e com franjinha me lembrou muito aquele biscoito trakinas) nunca me ofereceu pedaço dos lanches dela.

Então eu disse que não ia dar o pedaço, poxa!
Mas aí pensem comigo:
A Trakinas ia desistir do pedaço? *nãããooo*
Eu ia desistir do resto da minha coxinha? *nuncaaaaa*
Nota importante: O colégio era cheio de estátuas, plantas e vasos, o que era alvo fácil pra que em qualquer momento algum desses caísse e de alguma forma a culpa fosse minha.
Ela tentou arrancar a coxinha da minha mão pra dar uma mordida, foi aí que eu empurrei ela com o braço que segurava a coca e acabei derramando nela e em mim. Já não bastasse eu ter perdido quase metade da minha coca, logo atrás dela tinha uma estátua que eu não tinha visto e menina Trakinas tropeçou caindo justo em cima dela.

Já deu pra deduzir que:
- A estatua quebrou
- Fez muito barulho
- E que o patio entrou em modo de silêncio mórbido
Eu olhei pra situação sem saber o que fazer, então eu terminei logo minha coxinha, tomei o que restou do refrigerante e ajudei a menina a se levantar. Depois disso teve todo um rolo, cada um que acusasse o outro, mas no final a própria escola acabou pagando por uma estátua nova.
Pensando agora, se isso acontecesse comigo hoje em dia, já mais adulto e ciente dos meus atos, eu não pensaria duas vezes: respirava fundo e empurrava logo de uma vez a menina Trakinas, mas dessa vez com cuidado pra não derramar a coca que dizem que desperdício é pecado.
Essa história também me lembrou a vez que, com 6 anos eu consegui derrubar um muro, mas essa história eu conto outra hora, prometo.
Agora deixo vocês com esse gif do vovô caindo na escada rolante.
