‘Bastardos Inglórios’ mudou minha vida

Vamos arrancar alguns escalpos?

2012. Sala de minha casa. Ipirá, Bahia. Assisto a Bastardos Inglórios (2009, Quentin Tarantino). Minha vida muda para sempre.

Não é exagero. Naquele fatídico dia, quando sentei pra assistir aos 153 minutos dessa obra prima do cinema, algo em mim despertou. E eu reconheci, que aquilo que tinha acabado de ver era algo realmente importante. Seguem explicações (contém spoilers!)

SINOPSE: Durante a Segunda Guerra, na França ocupada pelo exército alemão, a jovem Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) testemunha a execução da família pelo coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Porém, ela consegue escapar e passa a viver sob a identidade de uma proprietária de cinema em Paris, enquanto aguarda o momento certo para se vingar. Ainda na Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza um grupo de soldados judeus para lutar contra os nazistas e vingar toda aniquilação promovida pelo Terceiro Reich de Hitler. Conhecido pelo inimigo como Os Bastardos, o grupo de Aldo recebe uma nova integrante, a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), que tem a perigosa missão de chegar até os líderes do Terceiro Reich.

Eu amo praticamente tudo nesse filme. Desde aspectos técnicos como figurino, maquiagem, trilha sonora, fotografia aos gerais como atuações e roteiro. Tarantino é mestre em roteiros inteligentes, recheados de plot twists, diálogos longos e magnéticos, personagens cheios de personalidade e com tom de deboche e exagero. Ele desenha dramas sobre linhas hilárias, que desafiam tudo de cinema já feito. Essa audácia, essa astúcia, com certeza é fator determinante na construção de suas obras, desde os clássicos Pulp Fiction (1994) e Cães de aluguel (1992), até os mais recentes sucessos Django Livre (2012) e Os oito odiados (2015). Todos os seus filmes são carimbados com elementos marcantes de sua identidade, tipo o uso de vários tons de amarelo, divisão em capítulos, fotografia profunda, personagens debochados, pés (!) e claro, sangue. Muito sangue.

Em Bastardos Inglórios, há uma união de fatores espetaculares que só somam: elenco de ponta, roteiro sensacional, técnica impecável e a direção magistral do mestre. De protagonistas à personagens secundários, não há uma atuação sequer que não foi extraído todo o talento possível dos atores que os interpretavam. Simplesmente conveniente a caricatura criada do sádico Hitler, o líder norte-americano mito da porra toda Aldo Raine e seus Bastardos (principalmente THE BEAR JEW), a forte e inteligentíssima Shosanna Dreyfus (ou Emmanuelle mimieux, se preferirem), o persistente e herói alemão Frederick Zoller e claro, CURVEM-SE para o GENIAL General Hans Landa, interpretada pelo MONSTRO Christoph Waltz (Levou SAG, BAFTA, Globo de ouro e OSCAR pela interpretação). Este último é, na minha humilde opinião, um dos melhores (se não o melhor) personagem que já tive o prazer de conhecer.

That’s a Bingo!

Um filme que une tantos astros do cinema internacional no auge de seus talentos, conversando em inglês, francês, alemão e arriscando um italiano (gorlami), a um roteiro astuto e genuinamente tarantinesco, PRECISA ser reconhecido como uma das películas mais importantes do século. Sangue, tiros, tragédia e contexto histórico polêmico e infame. E ainda consegue nos fazer rir.

A longa cena em que alguns dos Bastardos encontram a espiã Bridget Von Hammersmark em um bar subterrâneo e eles interagem e riem naturalmente enquanto estão tramando planos anti-nazistas é, no mínimo, icônica. Tudo corria bem até que o estraga prazeres do Major Hellstrom certeiramente desconfia dos forasteiros disfarçados de oficiais nazistas e se convida à mesa, propondo uma brincadeira. No decorrer do jogo, cresce uma tensão visível nos charlatões, que ficam claramente desconfortáveis naquela situação de perigo. ATÉ QUE Archie Hicox, interpretado pelo ótimo Michael Fassbender, comete o deslize de sinalizar erroneamente o número “3” com os dedos das mãos ao pedir drei gläser (“três copos”, em alemão). Segundo Hellstorm, um alemão nunca sinalizaria com três dedos partindo do indicador, mas sim partindo do polegar. E então todo o disfarce desmorona e há tiros e mortes pra todos os lados. Bridget escapa como única sobrevivente e é resgatada por Aldo.

Reparem na Bridget visivelmente constrangida ao notar o deslize do comparsa.

Esta cena significa MUITO. Muito MESMO. Para terem noção, em 2014, assim que ingressei na universidade, tive a sorte de encontrar um professor que fazia programa de extensão e estudei alemão, de graça, durante um ano e, mesmo que tendo obtido um conhecimento muito básico, realizei um sonho que nasceu após ver esse filme e em especial esta cena supracitada.

Cinema sempre foi algo importante na minha vida. Desde guri assistia a filmes com meu pai e ele sempre foi uma imagem a ser reproduzida no quesito. “Pai, vamo ver tal filme?” “Já vi, é aquele com cicrano e beltrano e eles fazem isso e aquilo. É bom.” Era isso com todo. goddamn. filme. Mas a porra ficou seríssima depois que assisti a Bastardos Inglórios. Nasceu a vontade, o desejo, o sonho de me envolver mais com isso. Me informar, estudar, crescer no tema. Mergulhar. Hoje penso em realmente trabalhar com cinema, mas nem imagino como. De longe meu maior desejo é roteiro e direção, mas até se for pra arrumar camarim eu to topando. Quem me conhece sabe qual é minha rede social favorita. Quem me conhece sabe que sempre tenho um filme a indicar. Quem me conhece sabe que noite de Oscar é noite sagrada aqui em casa. Quem conhece o Jorge, sabe que pra ele ir ao cinema sozinho não é problema, é prazer.

Por essas e outras vou fazer aqui neste espaço de muito aconchego e de natural acolhimento chamado Médium, postagens sobre alguns filmes que mudaram minha vida. E nada mais justo do que começar por este.

Por tanto, máximo respeito e admiração por esta obra. E todas que se seguiram, que vieram antes e que ainda estão por vir na minha vida. Cinema é minha maior paixão. E nunca esquecerei que tudo surgiu com Inglourious Basterds. Obrigado a todos os envolvidos.

10/10/2016. 1:53. Este filme mudou minha vida #01.

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