Descobri sozinho

Podia ter te dado tudo o que tinha, mas a ti ofereci apenas o que eu queria. Pra mim parecia o bastante, estar ali de vez em quando, te saborear em pedaços pequenos, sem graça. Não tive teu melhor pedaço, no entanto. Não degustei tudo o que você tinha, nem te ofereci o melhor que eu tinha. Não nos provamos.

Conhecemos o suficiente um do outro, mas o suficiente já não basta mais. Não conheço tuas novas versões e minha vontade é te reler, página por página. Pego pra mim esse conhecimento ou jogo ele todo fora, te esqueço. E quem disse que consigo?

Descobri sozinho que sempre te oferecia, pomposo, algumas poucas flores, tendo muito mais dentro de mim pra te dar. E esse é um incrível desperdício de flores.

Descobri sozinho que não sou tão autossuficiente assim. Descobri que tenho minhas dependências e que você é uma delas. Descobri que o nosso apego, nossa atração, não é coisa de magnetismo espiritual nem prazer da carne. É o olhar de admiração, o abraço cheio de saudade, a despedida sentida, querendo mais. Somos um ao outro e isso nos sustenta como um só. E toda vez quero mostrar isso pra ti e tu pra mim e nunca acontece. Talvez o que precisamos é uma dose. Do que?

Você sabe do quê.

08/10/2016. 23:08. Dentre tudo que já descobri sozinho, isso foi o mais importante.

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