O menino amarelo

Estava ele em sua mula Retinta
De cócoras em seu lombo cinza
Indo vender seus negócios no vilarejo do Rio
Como sempre fazia de abril a abril
Usando sua camisa azul e o chapéu de juta velho
E a mercadoria à sua esquerda no cesto amarelo.
Chegou na praça onde os feirantes tocavam suas vidas
Tipo um senhor com chapéu cinza e roupa colorida
Que reunia numa pilha os seus frutos cacau
Com a pressa de quem quer vendê-los até o pôr do sol
Enquanto recebeu a aguardada visita da sua amada
Que deixou a marmita que lhe sustentaria a carcaça.
Em seu lado uma moça sentada nos calcanhares
A roupa clara contrastando com seus escuros tons tegumentares
Vendendo mangas verdes muito cedo apanhadas
E cortando um mamão maduro com uma faca afiada.
Ao seu lado um cesto de vime preenchido com algodão
Enquanto suplicava com o olhar pra que eu levasse uma porção.
O menino mirou o alto céu sentindo o Sol forte do meio dia
Deixando-o por inteiro amarelo e cheio de expectativa
De que nessa sua dura jornada pela sobrevivência
Ele, como tantos, teria sucesso em perseverar na vida.
01/07/2018. 01:42.
