O elo entre o jornalismo e o WhatsApp

“O ouvinte como co-produtor de notícias”

Por: @Claudiany Schutz

O WhatsApp não é apenas um novo canal de comunicação. É uma plataforma que abre possibilidades para que leitores que dificilmente entram em contato por outras vias.

Através de mensagens instantâneas o aplicativo WhatsApp traz uma nova maneira de comunicação entre audiência e os tradicionais veículos de comunicação de massa, como o rádio. A rapidez e a interatividade são as características mais valorizadas do Whatsapp. E hoje, o uso do aplicativo para distribuição de conteúdo e produção de notícias tem revolucionado a forma de se fazer notícia, a audiência passa a levar a pauta para dentro das redações de maneira mais ativa.

No meio rádio, os ouvintes aproveitam o WhatsApp para fazer denúncias, enviar críticas ou sugestões, comentar alguma notícia, e enviar mensagens de trânsito. O uso do aplicativo mudou a cobertura de factuais e agilizou ainda mais a produção de notícias. Inicialmente, a comunicação com o ouvinte se realizava por cartas e telefone fixo, hoje em dia a emissora disponibiliza um número de WhatsApp direto (da rádio) para que os ouvintes façam denúncias, críticas, elogios, mande pautas e afins. O que é o jornalismo colaborativo na sua melhor essência. O ônibus quebrou? Ele manda. O trânsito tá ruim? Ele manda. Denúncia de tráfico de drogas? Ele manda.

O ouvinte participativo tornou-se mais crítico e também responsável pela edição, afinal, passou a informar sobre fatos que ocorrem diariamente em sua vida a partir de sua perspectiva. No entanto o aplicativo não exclui a redação jornalística como ponto e controle do fluxo de informações, informações consideráveis chegam e continuam sendo checadas por um jornalista. Porém agora o ouvinte passa a ser ouvido através de um aplicativo, um aplicativo que tomou conta do dia a dia da população brasileira.

Justamente, o Whatsapp tomou conta do dia a dia dos cidadãos, ele é o comunicador instantâneo mais usado em todo o país, segundo o estudo CONECTAÍ Express. O estudo foi realizado pela plataforma de pesquisas online do IBOPE chamada CONECTA em junho de 2017, de acordo com averiguação o WhatsApp é a “rede social” mais utilizada pelos brasileiros, com um total de 91% de utilização na população que possui acesso à internet no país.

Pesquisa do Ibope através do ConectAi

Entretanto, é necessário averiguar a procedência dessas informações para que o aplicativo, de fato, seja benéfico. No canal de comunicação WhatsApp são muito populares as “fake news”, informações disseminadas nas redes com intuito de espalhar notícias falsas, e uma grande quantidade de pessoas acredita nesses boatos. Além disso elas acabam compartilhando ainda mais esse conteúdo, ajudando a espalhar o tema inverídico de forma rápida. Mas nós, jornalistas, precisamos ser o exemplo de averiguação dessas informações.

No caso da rádios, o ideal seria dispor de um repórter de rua, para certificar-se de que o ocorrido estão mesmo procedendo, como trânsito, filas e acidentes, e outro jornalista dentro da redação para investigar melhor a pauta não pontuais, como tráfico de drogas, buracos em ruas e reclamações à prefeitura.

Atualmente, no veículo em que eu trabalho, a emissora rádio Guararema Capital, a forma que achamos de driblar as “fake news” e ao mesmo tempo poder utilizar a agilidade do aplicativo WhatsApp com denúncias de trânsito, alertas e acidentes foi a seguinte: Toda vez em que chega alguma informação de pauta com algumas das ocorrências descritas dos ouvintes, nós (equipe responsável) apuramos rapidamente na plataforma do google maps se realmente há algum acidente, trânsito lento ou alguma acontecimento que deve ter a atenção do ouvinte. Sendo assim conseguimos utilizar instantaneamente a informação repassada por nosso ouvinte no ar.

Além disso, existem alguma outras formas que podem ser adotadas para que a informação seja usufruída de forma lúcida. Afinal, a melhor maneira de combater a disseminação de informações falsas é ter um jornalismo com responsabilidade, algumas técnica e muito profissionalismo

Então porque não aproveitar uma plataforma tão simples e inovadora ao mesmo tempo para fazer essa ponte? A comunicação entre o ouvinte e o veículo de comunicação já existia, sim, porém agora ela é realizada de maneira diferente. Ela está incluída na inovação social que está ocorrendo. Por mais que o ouvinte entre em contato com a rádio e informasse um acontecimento no trânsito por telefone, hoje ela manda apenas uma mensagem via aplicativo, em um aparelhinho que está em suas mãos e a sua disposição com facilidade.

O jornalismo precisa acompanhar as inovações tecnológicas, porém tão importante quanto isso é observar de perto as mudanças nos hábitos e costumes do público, principalmente no que diz respeito à maneira como consomem conteúdo e se informam no dia a dia. Ou seja, por mais que a forma de interlocução da informação cidadão/veículo de comunicação ainda seja similar, a inovação social é muito contemporânea, e isso é renovação.