JL pelo Mundo — Goiânia

O Lado Bom da Vida
May 28, 2017 · 4 min read

Por Carla Lacerda

Arte da minha querida amiga Luciana Furtado! Obrigado, Lú!!!!

Esse texto já estava na minha cabeça há muitos e muitos meses. Mas daí eu teimei e não passei pro papel — ops, pro word — todas as palavras, ideias e sentimentos que se tornavam real enquanto eu dirigia, ou trabalhava, ou cuidava do João Lucas, da casa, do Thiago. E agora tô meio perdida aqui. Ah, péra, acho que dá pra recomeçar da parte do João Lucas. Sim, é por aí que está o fio da meada. Acho. Penso. Arrisco? Lá vou eu…

De forma direta então, já que me falta criatividade e deixei a inspiração passar. Hoje — que foi ontem, que foi alguns bons meses atrás, pra ser sincera — quero falar essencialmente sobre gratidão, e ainda sobre filhos e viagens. Todo mundo que tem filho pequeno tá careca de saber que a vida e as prioridades mudam completamente. Mas COMPLETAMENTE mesmo. E o que tenho percebido é que o ser humano tem a mania sádica de comparação de rotinas. Só que não dá, né, gente? Não dá pra comparar histórias, experiências e digitais diferentes! Todos somos únicos e especialmente singulares.

Singular, palavra que me remete ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que durante algum tempo, no meu dicionário, estava associada a limitação. Hoje, sou grata a Deus por enxergar as dificuldades e potencialidades de cada um, autista ou não. Grata também por tentar ver o lado bom da vida em toda e qualquer situação.

“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1 Tessalonicenses 5:18)

Ok, mas se já falei sobre filhos e gratidão, onde entra a viagem? Ela desembarca aqui, exatamente neste parágrafo. Depois que nos transformamos em pais, a tendência é pensar em tudo o que não fizemos antes, e isto, tenho certeza, inclui passeios e visitas a praias, lugares exóticos ou frios, e também a outros países. Sim, mas logo ou tarde, você vai poder desfrutar desses momentos novamente. Parecerá uma eternidade, mas não vai ser, acredite.

E quando se tem um filho com necessidade especial? Certamente esta realidade de viagens vai ficar distante e é bem provável que demore mais um pouquinho pra ela voltar a fazer parte da sua vida. Não somente em função da rotina e do cuidado extra que demandam as crianças com autismo, ou com síndrome de Down, ou com algum problema motor… Mas também porque todo e qualquer dinheiro é primeiro empregado nas terapias. Na verdade, até o dinheiro que não se tem — estão aí o cheque especial e consignados que não me deixam mentir — é destinado ao tratamento.

Mas como disse acima, este texto é essencialmente sobre gratidão. Portanto, vai aí uma dose extra desse substantivo na nossa “mala”. Já falei, em outros posts, que enxergar o lado bom da vida é uma tarefa deliberada e que implica um esforço diário danado. O primeiro ímpeto do ser humano é reclamar, murmurar. Eu não quero ter essa postura no meu dia a dia. E o blog se tornou uma forma de concretizar o reforço às coisas boas em detrimento das dificuldades.

Por isso, hoje lanço uma nova editoria aqui, “JL pelo mundo”. De verdade, não sei quantas cidades vamos conhecer com o João Lucas. Outro país? Outra cultura? Nova York, Paris dos meus sonhos adolescentes ou a Disney da infância? Paraísos tropicalientes no Brasil? Não sei. Não sei. Não sei. Mas decidi ver o “copo metade cheio” e “não metade vazio”. Nosso horizonte deve estar no que temos e não no que julgamos ainda faltar.

Nós já temos algumas cidades visitadas com o João Lucas. Sempre quero postar aqui algo sobre o local. É uma forma também de divulgar e escrever sobre turismo. Acho que vai ser legal, vai nos fazer bem. Vamos começar por Goiânia, cidade onde o JL nasceu em janeiro de 2013. No próximo texto — prometo que vai ser curto (não cumpri aqui o que disse no segundo parágrafo, rs) — vou colocar fotos de alguns lugares que ele conhece na capital do Estado.

Sabe de uma coisa? Aconselho as mães de crianças com necessidades especiais a também fazerem o mesmo. Você não precisa esperar uma oportunidade de estar em outra cidade, capital, país, numa praia ou numa casa com uma lareira aconchegante, pra comemorar, pra celebrar a vida com seu filho. Não deu pra viajar no Natal? Vá até a Praça Cívica, tire fotos e coloque a hashtag com o nome dele + a expressão “pelo mundo” (no meu caso, #JLpeloMundo). Não deu pra assistir aos fogos da virada do ano em Copacabana? Improvise uma visita na sua cidade mesmo a um dos seus locais favoritos. O que não dá é pra assistir a vida passar sendo plateia.

Pais de crianças especiais (eu confesso, gente, ainda não consigo usar o termo correto, crianças com deficiência) sabem que cada saída com o filho é uma conquista. Imensa. Única. Singular. Para as crianças autistas, então, sair da zona de conforto, da segurança do lar, pode ser algo realmente doloroso e difícil, por conta de tantos estímulos sensoriais. Por isso, repito:

Celebre!
Poste fotos!
Curta o momento!
Seja grato!
Sempre que der!
Sempre que puder!

E que a oração de Paulo possa sempre ser uma verdade em nossas vidas:

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação… (Filipenses 4:11,12)

O Lado Bom da Vida

Written by

Blog criado pelos jornalistas Thiago Marques e Carla Lacerda que fala sobre autismo e amor.

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