Sobre maternidade, idealizações e o início das aulas

A cara é séria, mas pensa num coração bom! Ah, aquela moça ali do fundo? Tem que ler o texto pra descobrir quem é!

Por Carla Lacerda

Sempre gostei de estudar. Desde que me entendo por gente. Desde que era um pingo de gente. Cheiro de cadernos novos, minha mãe encapando e etiquetando livros, canetas coloridas, todo um mar de conhecimento a ser descoberto. Chegava a sentir saudades da escola, das tarefas durante as férias. Sério. Seríssimo. Talvez por isso uma das minhas idealizações maternas se referia ao período estudantil do João Lucas. Nossa, imagina! Eu leria as histórias pra ele como minha mãe leu Reinações de Narizinho pra mim — no aconchego da cama dela, quando morávamos ainda na Octogonal, em Brasília! Eu tiraria “o ponto da matéria” dele assim como a dona Regina tirava de mim — na mesa acoplada a uma estante enorme de madeira, na Asa Norte, também em Brasília! E mais: será que eu faria as tarefas de artes do meu pequeno como a avó dele fazia pra mim, agora já instalados em Goiânia? Não se preocupe em adivinhar a resposta dessa última pergunta, mas foque no tempo verbal usado nas frases acima: referia, leria, tiraria, faria. Um diagnóstico sacudiu tudo o que eu achava que entendia sobre Passado, Presente ou Futuro. As provas fora da escola são muito mais complexas e exigem bem mais do que a formalidade de um conteúdo. Exigem capacidade de se reinventar, de reaprender e de estar aberto ao novo. Estaria eu preparada? Deveria estar pelo menos um pouquinho, mas…

Mas a verdade é que por mais que o ser humano passe por experiências de planos frustrados ou expectativas não concretizadas, toda vez que isso acontece, é um chororô danado. Porque pense: eu já tinha aprendido e já devia saber de cor e salteado que se a gente não controla o início da vida (o nascimento prematuro do João Lucas me mostrou isso) e nem o fim dela (sim, na minha prepotência imatura cheguei a pensar que poderia salvar minha mãe de um câncer), por que raios a gente pensa que controla o “meio” da vida, o durante, o processo? Sim, se essa pergunta fosse questão de uma prova, eu a deixaria em branco e sairia chorando por não concluir a tarefa, e…

E foi isso que aconteceu quando recebi o diagnóstico de que o João Lucas estava dentro do espectro do autismo. Chorei! Chorei quando a primeira professora chamou a mim e ao Thiago pra dizer que o desenvolvimento dele era diferente das crianças da sala! (apesar das nossas suspeitas, é dificílimo ouvir o que o coração não quer)! Chorei também durante a primeira apresentação do Dia das Mães, quando todos os coleguinhas do JL cantaram, menos ele! Chorei no ano passado, quando o João Lucas se sentia desconfortável nos ensaios para o Dia das Mães e decidimos que ele não precisava participar do evento para suprir uma necessidade, uma idealização, um sonho materno. Chorei! Chorei! Chorei muito naquele segundo domingo de maio, porém…

Porém, Deus é mestre e paciente mesmo em nos ensinar! Não importa quantas vezes ele tenha que recitar ou repassar a lição! Ele não desiste!

“Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá”. (João 13:7)

E aqui repito mais um versículo do qual gosto muito e que, inclusive, já usei em outros textos meus:

“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro” (Jeremias 29:11).

Sim, aquele domingo estava particularmente triste, mas

Mas Deus é mestre também em nos surpreender. Por que, sério, qual a chance de você receber uma mensagem linda como a que postarei abaixo, justamente no dia que em você está bem “pra baixo”? Adivinhou, também não tenho a resposta.

Carla, quero te desejar um feliz dia das mães! Obrigada por ter me dado a honra de conhecer essa pessoinha encantadora que é meu pequetito, ele enche minhas manhãs de alegria, é meu companheirinho! Me disseram que o significado do nome João Lucas era lindo, curiosa eu fui atrás e achei: João Lucas: “luminoso abençoado por Deus”, meu coração se explodiu quando eu li, mas abençoada também sou eu de ter ele ao meu lado 5 dias por semana, abençoadas são todas as pessoas que têm o prazer de conhecê-lo, abençoados mais ainda são você e o Thiago que têm o privilégio de falar ele é meu! Amanhã vou mandar na mochila uma pequena lembrancinha para você, simples mas é de coração. Bom domingo!

O choro agora era de gratidão, por entender que os propósitos e planos de Deus sempre serão mais altos do que os meus, e ainda bem por isso! A mensagem que bipou no meu whatsapp e também fez “explodir” meu coração de alegria é de uma moça talentosa e dedicada, a Paula, estudante de Psicologia que acompanha o JL no colégio. No colégio, na escola, na vida estudantil… num lugar que sempre foi especial pra mim e…

E quem disse mesmo que as lições da minha época eram melhores? As corretas? As únicas? Que tinham que se repetir? Melhor mesmo é estar disposto a sempre viver o lado bom da vida e aprender o que Deus tem a nos ensinar!

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